Segundo a reportagem, no Brasil “complicadas barreiras burocráticas e algumas das regras tributárias mais punitivas do mundo tornam a vida difícil para os possíveis empreendedores”.
O jornal cita um estudo que diz que para abrir uma empresa no Brasil é necessário preencher 18 formulários diferentes e esperar em média 152 dias, enquanto nos Estados Unidos o processo leva seis dias e exige o preenchimento de seis formulários.
A reportagem relata que os brasileiros na cidade de Boston encontraram um nicho em serviços domésticos especializados como limpeza, pinturas e jardinagem, nos quais eles podem ganhar até US$ 100 por hora – “cerca de metade do salário mínimo mensal no Brasil”, observa a reportagem.
Para o jornal, esses nichos “não funcionariam no Brasil, onde limpeza doméstica e pintura de paredes são ocupações de pouco status e que pagam mal”.
Recompensas maiores
“Brasileiros da baixa classe-média adotam uma visão diferente nos Estados Unidos, porque as recompensas são muito maiores”, diz a reportagem, comentando que imigrantes que retornam ao Brasil raramente conseguem repetir no país o sucesso que tiveram no exterior.
O jornal cita um estudo da socióloga Sueli Siqueira, que estudou as experiências dos imigrantes da cidade mineira de Governador Valadares e descobriu que cerca de metade das empresas estabelecidas por eles após o retorno ao Brasil fracassam, levando-os a tentar novamente a sorte nos Estados Unidos.
O Financial Times comenta, porém, que há nos Estados Unidos “uma crescente insatisfação popular com os imigrantes ilegais que parecem ambiciosos”.
“No momento, o aumento da vigilância e operações mais freqüentes do serviço de imigração significam que muitos brasileiros em Boston estão ficando com medo e adiantam seus planos para voltar para casa”, diz a reportagem.