Jornalistas de dois canais italianos de TV reclamaram que seus chefes os impediram de divulgar notícias sobre o estado de saúde do papa João Paulo 2o. na quinta-feira à noite enquanto o primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, falava em outro canal.
Repórteres do canal de notícias TG3, ligado à emissora estatal RAI, disseram ter sido obrigados a interromper uma notícia sobre o papa transmitida ao vivo.
No Mediaset, um canal controlado pela família de Berlusconi, jornalistas do TG5 criticaram o canal por não interromper uma entrevista com o premiê para dar notícias sobre o pontífice.
O dirigente, que controla na prática a maior parte dos canais de TV da Itália, estava sendo entrevistado em um canal da RAI três dias antes de o país ir às urnas para realizar eleições regionais.
- Estamos indignados e chocados com o que aconteceu na noite passada, quando começaram a chegar as notícias sobre a piora no estado de saúde do papa - afirmaram repórteres do TG3, em um comunicado.
- A direção do canal nos obrigou a interromper a transmissão ao vivo para dar espaço à grade de programação normal. Enquanto todos os outros canais do mundo começavam a transmitir notícias a partir do Vaticano, o TG3 teve de interromper sua transmissão a fim de satisfazer a decisão de divulgar uma entrevista gravada com Berlusconi.
Jornalistas do TG5 disseram que o Canale 5, do Mediaset, limitou-se a colocar no ar uma mensagem alertando as pessoas sobre o estado de saúde do papa, que piorou bastante na quinta-feira, quando o pontífice sofreu uma parada cardíaca.
- Apesar da grande pressão, o Canale 5 não considerou apropriado interromper a programação da noite - afirmaram editores do canal.
- Um grande grupo de comunicação como o nosso nunca deveria se eximir do dever de informar os telespectadores da forma mais rápida e completa possível - disseram em um comunicado.
Emissoras da Itália ignoram notícia sobre papa e são criticadas
Sexta, 01 de Abril de 2005 às 11:30, por: CdB