Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Emissão da Eletrobrás teve demanda cinco vezes maior

Domingo, 26 de Julho de 2009 às 11:05, por: CdB

A demanda pela emissão de US$1 bilhão  da Eletrobrás foi cinco vezes maior e a empresa só não aumentou a captação pela limitação imposta em seu estatuto, pelo qual precisa de autorização do Tesouro Nacional para emitir dívida, informou o diretor financeiro da estatal, Astrogildo Quental.

Em plena luta para conseguir o mesmo benefício da Petrobras e ser retirada dos cálculos do superávit primário do governo, a Eletrobrás mostrou que pelo menos em atração do investidor pode fazer papel semelhante.

– Poderíamos fácil fácil ter conseguido uns 1,5 a 2 bilhões de dólares, mas teríamos que ter nova autorização –, disse Quental.

O bônus, com vencimento em 30 de julho de 2019, saiu a 99,112 por cento do valor de face, com yield para o investidor de 7% ao ano. O cupom ficou em 6,875%.

– Dentro da situação atual do mercado consideramos muito positivo o que conseguimos –, disse Quental, que antes da emissão fez road show na Europa (Londres) e Estados Unidos.

O mercado norte-americano ficou com a maior fatia da captação, cerca de 60%, enquanto a Europa abocanhou 30% e a Ásia, "onde nem fizemos road show", ficou com os 10% restantes, disse.

A empresa não pensa no entanto em voltar ao mercado este ano, já que esgotou a necessidade de captação dentro de um programa que previa captar R$ 2 bilhões  este ano.

O plano de investimentos da companhia --de R$ 30 bilhões  até 2012-- prevê captações em torno dos R$2,5 a 3 bilhões anuais, mas, segundo Quental, este ano haverá menos necessidade de captação porque o bom desempenho das subsidiárias da Eletrobrás tem ajudado o caixa. 

De acordo com o diretor de Relações com Investidores, Arlindo Castanheira, que também participou da entrevista por telefone, a Eletrobrás tem preferência pela captação em dólar porque serve de hedge para a dívida da usina hidrelétrica de Itaipu, hoje em torno dos US$18,7 bilhões.

– Como temos recebíveis de Itaipu, a emissão em dólar é um hedge natural –, explicou Castanheira.

Sobre a possível mudança na metodologia da venda da parte paraguaia da energia de Itaipu, que está sendo discutido este fim de semana no Paraguai, o executivo explicou que a Eletrobrás funciona apenas como uma comercializadora e não ganha nem perde nada com a operação.

– Essa atividade é neutra para nós, a gente só repassa –, explicou.

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