Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Emirados Árabes querem uma nova ordem no Oriente Médio

Segunda, 13 de Dezembro de 2004 às 07:12, por: CdB

Os Emirados Árabes Unidos exortaram nesta segunda-feira colegas árabes a implementarem reformas políticas e econômicas radicais, argumentando que a história e seus povos não perdoariam se eles não o fizessem.

Mas o ministro da Defesa dos EAU e príncipe de Dubai, xeique Mohammed bin Rashid al-Maktoum, disse também que a mudança não poderia ser imposta de fora, referindo-se às propostas dos Estados Unidos de reformas no Oriente Médio.

Ele deu estas declarações durante o Fórum de Estratégia Árabe, em Dubai, que está sendo realizado sob o pano de fundo da violência no Iraque.
- Digo a meus colegas líderes: 'Se vocês não mudarem, vocês serão mudados. Se não iniciarem reformas radicais que restaurem o respeito pelo seviço público e mantenham os princípios da transparência, justiça e responsabilidade, então seu povo se ressentirá e a história o julgará duramente - disse ele.

- Em relação às forças da comunidade internacional que colocam nossa região no olho da tempestade e que propõem sucessivos projetos de mudança e reforma, somos gratos por seu interesse -  afirmou.

- Necessitamos de ajuda, mas a reforma não pode ser realizada por projetos estrangeiros e planos prontos. E ela não pode ser relizada por tanques e canhões e manipulando crises, em vez de solucioná-las - disse o xeique Mohammed.

O fórum de três dias tem participação de representantes árabes e norte-americanos, incluindo o ex-presidente Bill Clinton. Líderes árabes criticam a proposta dos EUA de promover a democracia na região, dizendo que as mudanças devem vir de dentro e estar de acordo com os valores sociais e políticos dos países.

A invasão ao Iraque liderada pelos EUA minou a credibilidade norte-americana entre muitos árabes, que já estavam irritados com o conflito israelo-palestino. Muitos deles vêem a invasão como uma campanha contra árabes e muçulmanos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.

- Entendemos a raiva causada pelos atos criminosos...mas recusamos a ligação de todos os muçulmanos com estes atos, conectando os muçulmanos com as piores imagens de atraso e apresentando o Islã como contrário à civilização moderna - disse o xeique Mohammed.

Clinton afirmou que o desenvolvimento não pode depender somente de uma visão, mas requer uma estratégia completa para implementá-lo. Os árabes teriam dois cenários até 2020, segundo o ex-presidente.

- Há um cenário negativo, em que o mundo árabe seria dominado pelo terrorismo, conflito contínuo com Israel, sem um Estado palestino, alguns países e grupos terroristas procurando armas de destruição em massa, explosão populacional...e resistência à necessária mudança política e social - explicou.

- O cenário positivo seria um mundo árabe em paz com Israel, um Estado palestino...cooperação regional para a segurança contra o terrorismo, um Iraque independente com um governo representativo e o Irã desistindo de suas ambições nucleares - disse ainda.

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