Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Emir Kusturica quer sua terceira Palma de Ouro

Sábado, 15 de Maio de 2004 às 07:31, por: CdB

Duas vezes Palma de Ouro em Cannes, Emir Kusturica reconta em Life is a Miracle a eterna história do amor entre inimigos, mas o cineasta sérvio coloca seu humor característico no drama shakesperiano, com uma pitada de realismo fantástico.

Kusturica ganhou duas vezes a Palma de Ouro: em 1985, com Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios, e em 1995, com Underground - Mentiras de Guerra. Candidato pela terceira vez este ano, se vencer baterá um recorde na história do Festival.

Life is a Miracle se passa na Bósnia, onde Luka (Slavko Stimac), um engenheiro sérvio, se instalou para constuir uma ferrovia, junto com a esposa (Vesna Trivalic), uma desequilibrada cantora de ópera, e seu filho, Milos (Vuc Kosvic).

Apaixonado por seu trabalho e ludibriado por um otimismo visceral, Luka não dá crédito aos sinais da guerra que se aproxima. A guerra explode, sua mulher foge com um músico e seu filho é convocado. Apesar de tudo, ele não perde as esperanças e continua esperando que a situação melhore.

Sua vida sofre uma reviravolta quando seu filho é feito prisioneiro e o exército sérvio lhe confia a guarda de Sahaba (Natasa Solak), uma refém muçulmana, enfermeira a quem conheceu superficialmente quando acompanhava sua esposa no hospital. O objetivo é trocar a prisioneira por seu filho.

Instalada em sua casa, a convivência rapidamente se transforma em amor, enquanto a guerra se intensifica.

Quando é assinado um acordo de troca de prisioneiros por meio das tropas da ONU, o casal decide continuar unido e fugir para qualquer parte do mundo.

O cineasta explica que deu a Luka seu "próprio olhar frente ao mundo e sua forma de agir" e que como ele, se negou a acreditar na guerra. "Eu também fui ingênuo e idealista", diz.

O segundo filme do dia na mostra competitiva é o documentário Mondovino, do cineasta e enólogo americano Jonathan Nossiter, uma viagem por vários países do mundo, inclusive Brasil e Argentina, para encontrar e compreender os pequenos produtores apegados a seu pedaço de terra, os proprietários dos grandes vinhedos e as grandes empresas negociadoras do comércio vinícola, um setor que há vinte anos vive uma revolução sem precedentes.

O filme estava previsto na seção oficial hors-concours, mas a direção do festival decidiu, nesta quarta-feira, incluí-lo na competição.

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