Rio de Janeiro, 14 de Outubro de 2026

Emigração e Irresponsabilidade

Segunda, 27 de Outubro de 2008 às 07:13, por: CdB

A necessidade de se criar um órgão institucional encarregado de legislar em favor dos nosso emigrantes acaba de ficar evidente.

Vejam só : diante da Diretiva de Vergonha aplicada pelos governos europeus contra imigrantes e que incluem brasileiros e diante da crise que põe um fim às esperanças de vida melhor para quem deixa o Brasil, decidimos nos posicionar, para evitar que trabalhadores brasileiros arrisquem emigrar, quando nos EUA também a situação é ruim.

Ora, existem algumas associações, (uma delas que se opunha aos Brasileirinhos Apátridas por achar que seria melhor aos filhos dos brasileiros, na Bélgica, serem apátridas que brasileiros), que demonstrando um infantilismo incompreensível, me enviam citações de que todo mundo tem o direito de emigrar. Pera aí, isso nós todos sabemos, mas quem emigra agora precisa saber que, sem documentos e contrato de trabalho, pode ficar preso, perder o dinheiro ajuntado dificilmente para tentar a vida no estrangeiro e sofrer mesmo fisicamente.

O movimento Estado do Emigrante acha um absurdo que pessoas já integradas e com emprego no Exterior mostrem reações irrealistas diante desses fatos. É uma enorme falta de maturidade política e uma grande irresponsabilidade, ainda mais se sabendo que o Brasil logo poderá oferecer melhores condições de vida do que se oferece hoje aqui fora, onde europeus e americanos vão amargar uma senhora crise, perder emprego e passar por dificuldades.

Todos nós sabemos que quem quiser pode emigrar, e quem é adulto e responsável sabe também que os emigrantes indocumentados estão condenados a uma expulsão. O resto é conversa mole que prova a imaturidade de certos dirigentes de comunidades de emigrantes. Só mesmo um Estado do Emigrante, institucional para cuidar da nossa emigração.

Segue o posicionamento do Estado do Emigrante diante da situação atual:

Achamos muito importante se adotar uma visão realista e objetiva, quanto ao inferno vivido atualmente pelos nossos irmãos emigrantes, expulsos em diversos países, submetidos a vexames, separados mesmo de seus filhos, com destruição do sonho de encontrarem um outro lugar para viver melhor, eles que eram também excluídos no Brasil.

Além da Diretiva da Vergonha, entramos em plena crise do capitalismo. Ao mesmo tempo o Brasil é um dos poucos países capazes de atravessar a crise sem grandes perdas, principalmente pela decisão do presidente Lula de adotar medidas de estatização.

Achamos também importante o trabalho de apoio e proteção que vem sendo dado aos brasileiros ilegais na Europa e Estados Unidos. Achamos importante a defesa dos que aqui já se encontram.

Porém, essa missão humanitária deve ser acompanhada de esclarecimentos no Brasil para mulheres e homens trabalhadores evitarem tentar a sorte sem documentos, sem contrato de trabalho, tanto na Europa como nos EUA. É preciso reconhecer que a política anti-imigratória ditada pela direita européia e vigente nos EUA não permite mais margem para a imigração ilegal.

Ao mesmo tempo, o Brasil com a descoberta de suas jazidas de petróleo, com a política atual vai oferecendo melhores condições aos brasileiros. Um enorme segmento de pobreza já foi solucionado, alguns milhões estão ascendendo socialmente com a ajuda de diversos planos e com o desenvolvimento da economia brasileira.

Não se deve incentivar a emigração, mesmo porque são muitos os que nos EUA, querem retornar, pois ali a crise não compensa mais a vida de semi-escravo, na angústia e na incertenza da ilegalidade.

Os tempos mudaram e mesmo para europeus e estadunidenses a vida será difícil e o desemprego vai ser uma tônica, nestes tempos que poderão ser anos, nos países ditos desenvolvidos.

O capitalismo sofreu uma enorme derrota, todos os tratados de economia neoliberal não valem mais nada e, como publicou um caricaturista em Zurique, no jornal Tages Anzeiger, Marx e Lenin estão rindo porque dez anos depois da implosão soviética é o capitalismo que implode.

Agora, nossos esforços devem ser no sentido de apoiar, proteger e dar garantias nacionais aos emigrantes já estabelecidos nos EUA, na Europa e Ásia. Criar um organismo que se encarregue de implementar todas as leis e regulamentos necessários aos emigrantes já assentados, garantir a proteção de nossa cultura e a manutenção do nosso idioma para seus filhos do Exterior. Elaborar os regulamentos que lhes permitam retornar, se quiserem, ao Brasil sem perda de anos de trabalho no estrangeiro. Permitir que possam ter poupança e propriedades no Brasil e ajudarem suas famílias lá residentes.

Esse é o objetivo do movimento do Estado do Emigrante – alertar os candidatos a emigrantes quanto as dificuldades atuais de tentarem a vida seja nos EUA ou Europa (no Japão é praticamente impossível ser ilegal), acentuar nossoa crença de que o Brasil já chegou no seu futuro e que vão se construindo as condições para se acabarem as desigualdades.

Com nossos quatro milhões de emigrantes, que poderão baixar para três em consequência da crise e da Diretiva da Vergolha, é preciso reconhecer que a emigração brasileira vai chegando ao seu final e que a próxima etapa será a de se dar o mesmo estatuto de brasileiro aos brasileiros do Exterior, para que sejam protegidos e reconhecidos como cidadãos nos países onde vivem, e para que, tão logo o Brasil se afirme economicamente como uma das grandes nações, possam também participar da riqueza nacional.

Por isso a necessidade de um órgão institucional, láico, suprapartidário, apoiado por parlamentares para levar a cabo essa nova etapa da emigração brasileira. Nós acreditamos nesse novo Brasil menos desigual, mais justo, que vem chegando.

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