Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Emergentes estudam novas exigências quanto a empréstimos do FMI

Sexta, 11 de Abril de 2014 às 11:10, por: CdB
brics.jpg
Os Brics são o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e, agora ,a África do Sul
Os países emergentes podem exigir mudanças ao mecanismo de empréstimo emergencial do Fundo Monetário Internacional se os Estados Unidos não aprovarem a reestruturação de 2010 da governança para o banco global, disse o ministro russo das Finanças Anton Siluanov nesta sexta-feira. As muito adiadas reformas no FMI, que visam dar mais peso às economias emergentes, serão discutidas nesta sexta-feira por ministros das Finanças reunidos em Washington neste final de semana para a reunião semestral do banco global. Os ministros devem debater uma série de medidas para este fim específico para alcançar ao menos algum progresso, mas de modo geral eles parecem estar inclinados a dar mais tempo aos Estados Unidos. Os principais recursos do FMI estão vindo de um fundo emergencial aprovado após a crise financeira de 2007-2009, o Novos Acordos para Empréstimo (NAB, na sigla em inglês). Isso precisa ser renovado a cada seis meses. Quando a data do próximo reabastecimento chegar, os países de mercados emergentes podem levantar questões, disse o ministro russo Siluanov nos bastidores da reunião do FMI. – Os países vão dizer: ... vamos pensar em novas maneiras de trabalhar com os NABs para que o peso dos países em desenvolvimento sobre decisões acerca da alocação (do dinheiro) seja mais explícitas, que a posição destes países seja levada mais em consideração do que agora, sem a revisão de cotas. Perguntas, claro, podem surgir (dos mercados emergentes) sobre em quais propósitos estes fundos são gastos, sobre mais controles sobre estes fundos para os países que dão recursos adicionais ao Fundo – disse Siluanov. Por enquanto, porém, a Rússia e outros países ainda gostariam de dar mais tempo aos EUA, ele disse. – Graus variáveis de mudanças ao funcionamento do fundo podem ser consideradas, mas ainda gostaríamos de uma solução direta através de princípios normais de cotas – acrescentou Siluanov. Propostas alternativas Outras autoridades financeiras globais também parecem inclinadas a dar aos Estados Unidos mais tempo para endossar uma série de reformas do Fundo Monetário Internacional cujo objetivo é dar mais peso às economias emergentes, em vez de tentarem implementar propostas alternativas que driblem a intransigência dos EUA. Os ministros de Finanças que se reúnem neste fim de semana em Washington para reuniões do FMI devem debater diversas medidas pontuais que permitam a implementação mesmo que parcial da reforma estrutural proposta em 2010 sem a aprovação formal dos EUA. No mês passado, senadores democratas desistiram de incluir as reformas em um pacote de ajuda à Ucrânia, porque a Câmara norte-americana, dominada pela oposição democrata, se recusou a considerar o assunto. Frustradas com a demora dos EUA, autoridades financeiras internacionais estão cogitando alternativas. Entre elas estaria o aumento do peso do voto dos países emergentes, o que como as reformas formais reduziria o poder do voto norte-americano. Outra proposta, mais drástica, é a de não prorrogar a autoridade do FMI para conceder empréstimo de emergência, segundo o secretário australiano do Tesouro, Martin Parkinson. As opções serão debatidas nesta sexta-feira numa reunião do comitê de orientação do FMI e do G20. – São todas elas opções legítimas – disse Parkinson. Ainda assim, Parkinson e outros afirmaram que o resultado mais provável é que o FMI dê mais tempo aos EUA. – Seria um erro não dar aos Estados Unidos a oportunidade de resolver isso – disse em entrevista o ministro mexicano Luis Videgaray. Outros países têm criticado os EUA por bloquear a reforma. Yi Gang, vice-presidente do banco central da China, disse que a demora na reforma do FMI "é um sério dano à liderança do G20" e "uma ameaça à legitimidade do FMI". – Cria alguma incerteza para os recursos futuros do FMI – disse ele em Washington. Muitos republicanos em Washington argumentam que a reforma – cujo prazo para que todos os membros a endossasse era 2012 – custará demais para os EUA e reduzirá a influência do país no FMI.
Tags:
Edições digital e impressa