O lançamento nesta quinta, na Embrapa Cerrado, das três sementes de soja transgênica RR adaptadas para a região do Cerrado brasileiro foi apontado como um marco histórico nos mais de 30 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Para o diretor-executivo da Embrapa, Geraldo Eugênio, o lançamento "também representa um ganho para o produtor e para o consumidor. Hoje, a Embrapa tem cultivares de soja geneticamente modificadas adaptadas ao Sul, ao Sudeste e à toda a região de cerrado do país. Isso é importante porque mostra o esforço da nação em ter o seu parque de ciência e tecnologia atualizado".
As sementes estão disponíveis para compra já para a safra deste ano e sua comercialização será feita por 30 empresas sementeiras do Convênio Cerrados, desenvolvido pelo Centro Tecnológico para Pesquisas Agropecuárias (CTPA), em parceria com a Embrapa e a Agência Rural de Goiás. A modificação genética nas sementes foi feita que se tornassem mais resistentes à ação de ervas daninhas.
De acordo com Eugênio, o impacto para o agronegócio é igualmente grande porque o Brasil estava tendo uma grande área de soja plantada de forma irregular. Como não existia um marco legal, ele explica que nos últimos dois anos a questão da soja transgênica era trabalhada com Medidas Provisórias.
- Agora, com a Lei de Biossegurança, corrigimos isso. Hoje a soja geneticamente modificadas pode ser usada, desde que desenvolvida para o ambiente brasileiro e testada em relação à biossegurança.
Na visão do pesquisador Plinio Itamar de Souza, responsável pela equipe de 20 funcionários que esteve à frente da pesquisa, a Embrapa está lançando em torno de 13 variedades de soja transgênica para todo o Brasil e três especificamente para o Cerrado. Só no projeto das três sojas para o cerrado foram gastos sete anos de pesquisa. Segundo ele, poderão ser usados agrotóxicos herbicidas menos agressivos ao meio ambiente.
Na opinião do engenheiro agrônomo e produtor rural, Homero Pessoa, as cultivares transgênicas que têm esse novo gene para resistência às ervas daninhas poderão dar um ganho ao produtor e solucionar, em alguns casos, a questão da semeadura e o cultivo da soja em áreas problemáticas.
- Eu tenho impressão que essas cultivares vão baratear o custo tanto para o agricultor quanto para o consumidor.
O chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manoel Cabral Dias, disse que esse é o nono ano consecutivo de aumento da área de produção e cultivo transgênico no Brasil.
- Essa área passou de 1,7 milhão de hectares em 1996 para 81 milhões de hectares em 2004".
ias estima que "o comércio de transgênicos tenha gerado receitas de US$ 24 bilhões em todo o mundo".
Ele disse ainda que a previsão é de que o Brasil produzirá cerca de 57 milhões de toneladas de soja transgênica no ano de 2010.
- Se for mantida a mesma proporção de hoje, a região do Brasil central irá produzir cerca de 29 milhões de toneladas anuais - comemora. A produção atual da região, segundo ele, é de 18 milhões de toneladas.
De acordo com o engenheiro agrônomo da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Ventura Barbeiro, "a vantagem dos primeiros anos (em diminuição do uso de agrotóxicos) perde-se rapidamente. Existe a redução sim, mas depois o problema volta."
Quanto ao aumento da área plantada pela soja, Barbeiro diz que, por isso, hoje "o cerrado já é uma lembrança. Será preservado em alguns parques ou terras indígenas, mas a soja está avançando pela floresta amazônica". No futuro, alerta, "ela vai agravar o problema da contaminação dos rios e saúde da população indígena", pois será preciso, segundo ele, utilizar uma quantidade maior de herbicida do que hoje, já que as pragas ficariam mais resistentes.