O diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, é da opinião de que o Brasil deve começar a mudar sua postura com relação ao embargo chileno à carne, que completa dois anos em outubro.
— A Abiec acha que já chegou a hora e se esgotaram todas as tentativas de troca de argumentação técnica e diplomática. Temos que partir para o confronto e analisar muito especificamente o que diz o acordo sanitário com o Chile, para começar a tomar as mesmas medidas que eles tomam em relação ao Brasil — disse Camardelli.
Segundo ele, uma das atitudes que o governo brasileiro pode tomar é revisar os critérios sanitários estabelecidos com o Chile para a importação de salmão, de maçã e de uva. Camardelli citou o caso específico das uvas chilenas, que podem estar contaminadas por uma praga não existente no Brasil.
— Esse produto entra no Brasil e, com as condições estabelecidas de controle, seguramente não estão sendo 100% analisadas e nós estamos na iminência de importar ou produzir uma praga que o Brasil não tem.
De acordo com o diretor da Abiec, o Chile costumava importar até 60 mil toneladas de carne por ano, mas o embargo em 2005 ao Brasil, quando surgiram os primeiros focos de aftosa, diminuiu essa capacidade.
— Eles compram de concorrentes nossos que têm restrições sanitárias semelhantes ou até piores — comentou.
Segundo dados divulgados pela Abiec, a receita das exportações de carne bovina tiveram um crescimento de 31% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado. A venda de carne rendeu US$ 2,2 bilhões entre os meses de janeiro e junho deste ano. Também houve crescimento de 26,69% com relação aos embarques, atingindo 1,3 milhão de toneladas.
Em junho, de acordo com a Abiec, a receita foi de US$ 349 milhões, representando um crescimento de 0,60% em relação ao mesmo período de 2006. O volume exportado, em junho, foi de 208 mil toneladas, com queda de 0,98% se comparado a junho do ano passado.
Segundo Camardelli, os "números são positivos", principalmente se considerando as dificuldades encontradas pela queda do dólar e pelo "constrangimento sanitário, com banimento parcial", vigente desde 2005.
De acordo com Camardelli, a previsão é de que o crescimento persista no segundo semestre. "A gente acha que deve crescer de 10 a 15% em volume e receita porque o mercado é muito diverso", disse ele.
— Se, por um lado, há dificuldades para remontar o efeito dominó provocado pelo constrangimento desde outubro de 2005, há países que, de uma hora para outra, até por questões políticas, necessitam de estoques estratégicos. E o Brasil é hoje o único país que pode responder com volume e tempo curto.
A Rússia manteve a liderança no ranking dos principais países importadores de carne in natura no semestre, comprando 329 mil toneladas de carne brasileira, o equivalente a cerca de US$ 428 milhões. Os Estados Unidos são o país que mais consome a carne bovina industrializada brasileira: segundo o levantamento, as vendas para os Estados Unidos atingiram US$ 147 milhões no primeiro semestre deste ano.