Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Embaixador venezuelano na ONU renuncia

Sexta, 05 de Março de 2004 às 05:41, por: CdB

O embaixador venezuelano na ONU renunciou no final desta quinta-feira em protesto contra o governo de Hugo Chávez, abalando a imagem internacional do governo. Em Caracas, as manifestações da oposição resultaram em mais uma morte.

A renúncia do embaixador Milos Alcalay representou um constrangimento para Chávez, que enfrenta uma campanha da oposição por um referendo que pode abreviar seu mandato. Alcalay, diplomata de carreira que antes apoiava Chávez, disse que não concordava com uma decisão das autoridades eleitorais contra o referendo nem com a repressão governamental aos protestos dos últimos dias, que mataram sete pessoas.

``Temos um Conselho Nacional Eleitoral que, em vez de oferecer uma solução, coloca problemas diante de cada solução'', disse Alcalay à CNN em espanhol, em Nova Iorque.
Ele acusou o governo de Chávez de se tornar antidemocrático e repressivo. ``Não sinto que possa ser um porta-voz desta situação'', afirmou.

Fontes governamentais qualificaram os comentários do embaixador de hipócritas e disseram que ele faz parte de um grupo de diplomatas que apoiou o breve golpe de Estado contra Chávez, em 2002, mas que mesmo assim foi autorizado a permanecer no serviço diplomático.

Na quinta-feira, uma mulher de 50 anos foi morta depois que soldados lançaram gás lacrimogêneo contra um grupo que bloqueava uma estrada na cidade de Machiques, fronteira com a Colômbia.

Líderes da oposição disseram que a morte foi provocada por soldados, mas militares afirmaram que um atirador civil disparou contra a multidão e fugiu. Na terça-feira, o Conselho Nacional Eleitoral anunciou preliminarmente que a oposição não conseguiu reunir as 2,4 milhões de assinaturas necessárias para a convocação do referendo, mas que autores de assinaturas  duvidosas poderiam reconfirmá-las.
A oposição acusa o Conselho de ser favorável a Chávez. O presidente, por sua vez, diz que seus adversários cometeram uma ''megafraude'' no abaixo-assinado. Caracas e outras cidades importantes tiveram uma quinta-feira tranquila.

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