O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta sexta-feira que não vai retaliar ninguém e reiterou que não deixará o cargo.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta sexta-feira, um dia depois de ser denunciado pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, que não vai retaliar ninguém e reiterou que não deixará o cargo.
Cunha foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, tornando-se o primeiro político com foro privilegiado a ser acusado por envolvimento no escândalo de corrupção apurado pela operação Lava Jato. Cunha teria praticado corrupção em dois episódios distintos, além de lavar dinheiro 60 vezes. Isso levou Janot a pedir 184 anos de prisão, levando em conta a soma da pena mínima de cada um dos crimes separadamente
Se o STF aceitar a denúncia do MPF em decisão colegiada, Cunha passará à condição de réu na Justiça
Em evento em São Paulo, na sede da Força Sindical, o presidente da Câmara disse que por conta do papel institucional de seu cargo não está alinhado com nenhum movimento de defesa ou exclusão de quem quer que seja. Os representantes sindicais, Cunha disse que não há a menor possibilidade de continuar no comando da Câmara.
- Renúncia é um ato unilateral. Isso não faz parte do meu vocabulário, e não fará - disse o peemedebista.
Se o STF aceitar a denúncia do MPF em decisão colegiada, Cunha passará à condição de réu na Justiça.
Denúncia e pedido de 184 anos de prisão para Cunha
Na denúncia, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusa Cunha de receber pelo menos US$ 5 milhões em propina (o recebimento do dinheiro teria sido camuflado por meio de contas offshore, empresas de fachada, simulação de contratos de serviço e até doações falsas a uma igreja).
Cunha teria praticado corrupção em dois episódios distintos, além de lavar dinheiro 60 vezes. e pede sua condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Caso o STF aceite a denúncia do Ministério Público Federal em decisão colegiada, Cunha passará à condição de réu na Justiça. Após a entrega da denúncia ao STF, um grupo de deputados de 10 partidos pediu o afastamento de Cunha do comando da Casa.
- Estou absolutamente sereno e refuto com veemência todas as ilações constantes da peça do procurador-geral da República. Sou inocente e com essa denúncia me sinto aliviado, já que agora o assunto passa para o Poder Judiciário - afirmou Cunha em nota divulgada após o envio da denúncia ao Supremo. Ele reiterou que não deixará o comando da Câmara.
O senador e ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL) também foi denunciado pela MPF nesta quinta-feira. Ele foi alvo de investigação por suspeita de envolvimento na Lava Jato, mas como a denúncia foi feita em sigilo, não é possível saber quais acusações estão sendo feitas contra o senador. Segundo informações veiculadas na imprensa, no entanto, o senador também está sendo acusado receber propina na Lava Jato.
Na denúncia contra Cunha, o procurador também acusa a ex-deputada federal Solange Almeida, atualmente prefeita de Rio Bonito (RJ) pelo PMDB, de corrupção passiva.
A denúncia contra Cunha e a ex-deputada pede o ressarcimento de R$ 277,37 milhões, equivalentes a US$ 80 milhões - US$ 40 milhões que teriam sido desviados e outros US$ 40 milhões a título de indenização para a Petrobras.
- Como eu já disse anteriormente, fui escolhido para ser investigado e, agora, ao que parece, estou também sendo escolhido para ser denunciado, e ainda, figurando como o primeiro da lista... Também é muito estranho não ter ainda nenhuma denúncia contra membro do PT ou do governo, detentor de foro privilegiado - disse o presidente da Câmara.
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