O dólar fechou em leve queda nesta quinta-feira, em sessão de forte volatilidade, acompanhando os movimentos das bolsas de valores norte-americanas em meio às incertezas dos investidores sobre a saúde financeira global e novas atuações do Banco Central no mercado doméstico.
A moeda norte-americana caiu 0,18%, a 2,160 real. Na semana, a divisa acumula baixa de 7,14%.
O dólar, que chegou a subir mais de 3 por cento durante as operações da manhã, seguiu o movimento de recuperação dos mercados acionários de Nova York e reverteu sua tendência nos últimos minutos de negócios.
- O mercado está bastante volátil e emocional, operando ainda ao sabor das notícias - afirmou Luis Piason, gerente de operações de câmbio da corretora Concórdia.
Após o mercado de câmbio fechar, as bolsas norte-americanas intensificaram suas altas e os principais índices encerraram com valorização de mais de 5 por cento, após inverter sua tendência diversas vezes durante o dia. Apesar do bom humor externo, a Bovespa terminou em território negativo.
Piason ressaltou ainda que o cenário brasileiro também é pressionado pela dúvida dos investidores sobre se ainda existem empresas com problemas de posições nos mercados derivativos, que ganham ainda mais força com a chegada da temporada de divulgação de resultados.
No fnal do último mês, a Aracruz e a Sadia divulgaram fortes prejuízos devido a posições equivocadas no mercado de dólar futuro.
- A coisa não vai se resolver tão rápido - disse Mario Battistel, gerente da Fair Corretora. "Vamos continuar desse jeito (com grande volatilidade) por um tempo."
Nesta quinta-feira, o Banco Central voltou a atuar no mercado cambial, realizando um leilão de venda de dólares com compromisso de recompra, um leilão de venda de dólares no mercado à vista, e um leilão de swap cambial, em um esforço para conter a alta da moeda norte-americana.
Piason, acredita que as atuações do BC devem ter efeito no médio prazo. Para ele, neste momento, a preocupação maior precisa ser a falta de linhas de créditos para exportadores.
Neste sentido, a autoridade monetária divulgou nesta quinta-feira que poderá obrigar as instituições financeiras que usarem a janela de redesconto a direcionar parte ou o total do volume captado para financiar os exportadores.