A futura secretária de Estado norte-americano, Condoleezza Rice, defendeu sua honestidade e integridade na terça-feira, ao entrar em choque com senadores democratas a respeito das justificativas do governo Bush para a guerra do Iraque e das estratégias para abandonar o conflito.
Na sabatina do Senado para sua confirmação no novo cargo, Rice, atualmente assessora de Segurança Nacional da Casa Branca, foi questionada a respeito do número de soldados enviados ao Iraque, da pertinência de treinar as forças iraquianas para substituir o contingente dos EUA e do fracasso em encontrar armas de destruição em massa que o governo Bush dizia existirem no Iraque antes da guerra.
Rice, que será a primeira mulher negra a ocupar o cargo, prometeu usar a diplomacia para restaurar alianças abaladas pela guerra. Ela afirmou que, apesar da insurgência no Iraque, os EUA têm um contingente em número suficiente por lá.
Em um acalorado debate, a senadora Barbara Boxer afirmou que o governo Bush modificou sua justificativa para a guerra porque não conseguiu encontrar as armas químicas e biológicas que diziam existir.
- A senhora os mandou para lá por causa das armas de destruição em massa. Depois a missão mudou quando não havia (tais armas) - , disse Boxer. - Não vamos reescrever a história, é cedo demais para isso.
- Não eram só as armas de destruição em massa - respondeu Rice, afirmando que o ex-ditador Saddam Hussein apoiava o terrorismo, atacou o Kuweit e Israel e precisava ser derrubado devido à nova percepção de ameaças contra os EUA depois do 11 de setembro.
- Podemos ter esta discussão da forma que preferir, mas realmente espero que a senhora não conteste minha integridade - disse Rice a Boxer. - Realmente espero que a senhora não insinue que eu levo a verdade pouco a sério.
Rice admitiu que há problemas com as novas Forças Armadas iraquianas, inclusive de deserção, mas disse que já há 120 mil soldados locais prontos para o combate. O senador democrata Joe Biden reagiu dizendo que, por seus dados, são apenas 4.000.
Rice disse que sua principal tarefa será reconstruir alianças e difundir a liberdade no mundo -- posições vistas com ceticismo por críticos que consideram a política externa dos EUA unilateralista e egoísta.
- Devemos usar a diplomacia para ajudar a criar um equilíbrio de poder no mundo que favoreça a liberdade - disse Rice aos senadores da Comissão de Relações Exteriores. - E a hora para a diplomacia é agora.
Biden reagiu: "Apesar do nosso grande poderio militar, estamos na minha opinião mais sozinhos no mundo do que em qualquer momento da história recente. A hora da diplomacia, na minha opinião, já passou há muito tempo."
- Fomos lá para resgatar o Iraque de Saddam Hussein, e agora acho que temos de resgatar nossa política de nós mesmos - acrescentou o senador John Kerry, derrotado por George W. Bush nas eleições de novembro. - Não me alegro com isso, mas é esta a realidade com a qual temos de lidar. Temos garotos morrendo por lá.
Rice não quis estimar quando os EUA vão deixar o Iraque e afirmou que a estratégia para isso está ligada ao treinamento das forças iraquianas. "Nosso papel é diretamente proporcional, eu acho, à capacidade dos iraquianos."
Especialista em história soviética, Rice disse que preservar a democracia na Rússia é vital para a relação entre a Casa Branca e o Kremlin, num momento em que há sinais de que o governo russo está cada vez mais autoritário. Ela prometeu se empenhar "pessoalmente" pela paz entre palestinos e israelenses.
O antecessor de Rice na Secretaria de Estado, Colin Powell, é admirado em todo o mundo e visto como a única pessoa do governo Bush que prioriza a diplomacia na resolução de conflitos.