Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026

Em reunião descontraída, MST apresenta a Lula 16 reivindicações

Os líderes do MST apresentaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um documento com 16 reivindicações ao governo. Entre essas reivindicações, estão o assentamento imediato de 120 mil famílias que estariam acampadas pelo país, um plano para assentar mais um milhão de famílias até 2006, a manutenção do ITR como imposto complementar da reforma agrária vinculado à Receita Federal e a desapropriação de fazendas onde se registrou trabalho escravo e plantio de drogas ilegais. (Leia Mais)

Quarta, 02 de Julho de 2003 às 10:29, por: CdB

Os líderes do MST apresentaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um documento com 16 reivindicações ao governo. Entre essas reivindicações, estão o assentamento imediato de 120 mil famílias que estariam acampadas pelo país, um plano para assentar mais um milhão de famílias até 2006, a manutenção do ITR como imposto complementar da reforma agrária vinculado à Receita Federal e a desapropriação de fazendas onde se registrou trabalho escravo e plantio de drogas ilegais. No documento entregue ao presidente, a liderança do MST manifesta posição contrária à liberação do plantio e venda de produtos transgênicos e à implantação da Alca. Os líderes pedem também abertura de inquérito pela Polícia Federal contra fazendeiros que utilizam milícias armadas e a aprovação de uma proposta de emenda constitucional que transfira para a esfera federal a competência para investigar crimes contra os direitos humanos. O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lideranças dos Sem-Terra começou com descontração, segundo testemunharam fotógrafos e cinegrafistas que puderam registrar seu início. Segundo relato deles, Lula abriu um pacote de biscoitos que recebeu de presente, experimentou um e colocou outros na boca de dois líderes do MST e, por alguns segundos, colocou na cabeça um boné que também recebera de presente. Ao presentear o presidente com uma bola de couro confeccionada por alunos de uma escola de Veranópolis (RS), Ênio Bohnenberger, um dos líderes do MST, disse que o gesto continha o propósito de "construir um time juntos". Lula então pediu ao sem-terra que fizesse umas "embaixadinhas" com a bola, sendo prontamente atendido. Lula aplaudiu a performance e disse não poder fazer o mesmo por causa do protocolo. O mesmo líder do MST disse que o momento era propício para fazer a reforma agrária. - O senhor está com a bola cheia, e temos de aproveitar o momento para escalar o time da reforma agrária. Vamos colocar o senhor como centro-avante e, pela esquerda, o ministro do Desenvolvimento Agrário (Miguel Rossetto). Mas não sei, pelo aspecto político, pela direita, o Palocci - acrescentou, referindo-se ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que não participa da reunião. Essa observação provocou risos dos presentes. Lula ainda brincou: "E o José Dirceu?". "Meia-esquerda", respondeu o sem-terra. O presidente, então, pegou a bola da mão dele. "Me dá logo essa bola", disse. Em seguida, apanhou um boné do MST e o colocou sobre a bola, dando início ao encontro; os fotógrafos e cinegrafistas foram levados para fora do gabinete. Da reunião participaram, além dos ministros do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, da Casa Civil, José Dirceu, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, também os líderes do governo na Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP); no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e no Congressso, senador Amir Lando (PMDB-RO). Entre outros líderes do MST, estiveram presentes João Pedro Stedile, Gilmar Mauro e João Paulo Rodrigues. José Rainha Júnior não participou, segundo os líderes, porque participa da liderança nacional. Segundo eles, todos os Estados estão representados.

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