O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira, em Petrolina (PE), a greve de servidores públicos de atividades consideradas essenciais, como médicos, porque, segundo ele, prejudica os pobres. Lula fez a crítica no momento em que os médicos dos hospitais estaduais em Recife ameaçam deixar o trabalho a partir da próxima sexta-feira.
Cerca de 400 profissionais já entregaram seus pedidos de exoneração à Secretaria Estadual de Saúde. A categoria quer aumento salarial e rejeitou na noite de segunda-feira (2) proposta do governo. Por meio de nota de oficial, o governo informou que propôs reajustar os salários dos plantonistas de R$ 2.900 para R$ 3.600 e dos diaristas R$ 1.900 para R$ 2.300.
- Sempre tive muita dúvida sobre greve de médico, sobre greve de metrô, pois quem paga é exatamente a parte mais pobre da população. A gente não vê greve nos grandes hospitais particulares. A gente vê é no setor público, onde crianças ficam na fila, esperando horas por atendimento e as pessoas não aparecem para atendê-la em nome de reivindicar um salário a mais - disse o presidente, ao inaugurar, em Petrolina (PE), a primeira etapa do campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), que ficará pronta no segundo semestre de 2009.
- Pode reivindicar, brigar, mas não deixe de atender aquela parte mais pobre da população, é a parte mais fraca, não é organizada - completou.
Com a ameaça de demissão coletiva, o governo de Eduardo Campos pediu ajuda ao Ministério da Defesa, que deslocou aproximadamente cem médicos das Forças Armadas para ajudar no atendimento na rede pública de Recife. De acordo com o ministério, os militares já estão atendendo.
No evento, Lula disse ainda que o governo investirá R$ 41 bilhões em ciência e tecnologia até 2010.