O candidato republicano John McCain espera usar o debate de terça-feira para conter a ascensão do democrata Barack Obama e retomar o rumo de sua campanha à Casa Branca. A menos de um mês da eleição, o segundo dos três debates previstos dá a McCain uma das suas melhores chances para reverter o crescimento de Obama nas pesquisas das últimas semanas.
– McCain tem uma grande oportunidade com este debate – disse Peter Brown, diretor-assistente da pesquisa da Universidade Quinnipiac.
– Ele tem de mudar a dinâmica e fazer as pessoas reavaliarem Obama – completou.
O democrata consolidou sua liderança nas pesquisas nacionais e abriu dianteira também em Estados estratégicos. Na opinião dos eleitores, Obama é superior a McCain em questões econômicas, que são justamente as que mais interessam o eleitorado nesta campanha marcada pelo colapso do sistema financeiro.
Pesquisa Reuters/C-SPAN/Zogby, divulgada na terça-feira, dá a Obama uma vantagem de 3 pontos percentuais sobre McCain. Em outros levantamentos, a liderança do democrata é ainda maior.
A crise financeira se agravou na segunda-feira, quando as bolsas despencaram, refletindo os temores de que uma recessão seja inevitável, apesar da aprovação de um pacote de 700 bilhões de dólares para ajudar o setor.
A campanha de McCain lançou uma saraivada de ataques contra Obama nos últimos dias, e seus assessores dizem que ele está ávido por desviar o foco da economia. Ele e sua candidata a vice, Sarah Palin, lembraram nos últimos dias da ligação do rival com figuras polêmicas, como o ex-militante da década de 1960 William Ayers e o pastor Jeremiah Wright.
Obama reagiu questionando a vinculação de McCain com o financista Charles Keating, pivô de um escândalo envolvendo uma instituição de crédito e poupança que custou bilhões de dólares aos cofres públicos, na virada das décadas de 1980 para 90.
O tom agressivo de McCain e as respostas afiadas de Obama ampliam as expectativas de que o debate na Universidade Belmont, em Nashville, no Tennessee, seja explosivo. As últimas oportunidades de McCain para uma virada podem ser neste encontro e no último debate, na semana que vem, em Hempstead, Nova York.
– McCain tem mais duas chances sob o seu controle de mudar a corrida, e são os dois debates – disse Todd Harris, consultor republicano que participou da frustrada campanha de McCain à presidência em 2000.
– A menos de um mês do final, cada evento é crucial, e cada grande evento é exponencialmente mais importante do que o anterior – disse.
As pesquisas indicam que Obama venceu o primeiro debate, na sexta-feira retrasada. O encontro de terça-feira será num formato menos rígido, com perguntas feitas por indecisos na platéia um estilo, conhecido como town hall meeting (encontro na prefeitura), que McCain gosta e costuma adotar em seus eventos de campanha.
Pontos decisivos
O democrata Barack Obama abriu uma vantagem de 3 pontos percentuais sobre o republicano John McCain na disputa pela Presidência dos Estados Unidos, menos de um mês antes das eleições, segundo pesquisa Reuters/C-SPAN/Zogby divulgada nesta terça-feira. Obama tem 48% da preferência dos prováveis eleitores, contra 45% de McCain. A pesquisa tem margem de erro de 2,8 pontos percentuais. Quatro por cento dos eleitores disseram ainda estar indecisos.
O levantamento, o primeiro de uma série de pesquisas diárias que pretende rastrear a opinião pública até a eleição de 4 de novembro, mostrou Obama com vantagem entre as mulheres e os independentes, grupos cruciais do eleitorado norte-americano.
– Obama lidera entre grupos importantes, mas essa disputa está longe de estar encerrada – disse John Zogby, especialista em pesquisas.
Obama e McCain voltam a se encontrar nesta terça, no segundo dos três debates agendados entre ambos, em Nashville, Tennessee. A pesquisa foi realizada entre sábado e segunda-feira, após o debate entre os candidatos a vice-presidente Sarah Palin (republicana) e Joe Biden (democrata). A pesquisa mostrou Obama liderando entre os independentes, com 49% desse eleitorado contra 42% de McCain. Entre as mulheres, o democrata tem 51% das intenções de voto, contra 42% do republicano.
O senador por Illinois, de 47 anos, tem ainda 9 de cada 10 votos de eleitores negros e lidera entre os hispânicos, eleitores jovens, aqueles que se auto-descrevem como moderados e aqueles que ganham menos de US$ 50 mil dólares.
McCain, senador pelo Arizona de 72 anos de idade, lidera entre os homens, eleitores brancos, entre os idosos, os católicos e aqueles que ganham mais de US$ 100 mil por ano.
Os dois candidatos solidificaram o apoio entre os eleitores de seus próprios partidos, segundo a pesquisa, conseguindo 9 entre cada 10 votos dos simpatizantes de suas respectivas legendas.