Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Em Primeira experiência, Renato Moral quer fazer história em Botucatu

Sexta, 15 de Julho de 2011 às 12:28, por: CdB

Alessandro Yara Rossi
Especial para o site da FPF

Formado em Educação Física, Renato Moral, de 30 anos não seguiu o que a maioria dos treinadores fazem antes: ser jogador de futebol. Ele tomou o caminho inverso e a sua paixão pela modalidade falou mais alto. A vontade de comandar um time foi enorme, tanto que se envolveu em projetos sociais na cidade de Botucatu, em 2006 ensinando crianças carentes a prática do futebol e o retorno foi extremamente positivo.

Em 2010 foi criado o time de futebol feminino ABD Botucatu e Renato recebeu um convite para ser auxiliar técnico de Marcelo Marcolin no Campeonato Paulista Feminino de Futebol, chegando até a segunda fase. Graças a sua capacidade tática, entendimento e competência, Moral assumiu o comando da equipe nesta temporada, no lugar de Marcolin, que aceitou um projeto da prefeitura local.

Já na sua primeira oportunidade como comandante na carreira e com uma idade baixa para os padrões, Renato Moral tem um bom aproveitamento no ABD Botucatu: nove vitórias, um empate e três derrotas. Os planos dele é levar a equipe ao título e construir uma história sólida e rica no clube.

FPF: Você sempre quis ser treinador, não preferiu se tornar um jogador profissional?
Moral: Eu jogava, mas apenas como forma de lazer, o meu intuito era dirigir um time. Estudei bastante, realizei todos os cursos possíveis que envolviam o futebol, me espelhei muito no José Mourinho, nesta parte de estratégia, nos detalhes que podem mudar o panorama de uma partida.

FPF: Qual foi o grau de importância dos projetos sociais que você desenvolveu em Botucatu?
Moral: Graças a estes projetos que agora sou treinador. Educava as crianças de rua, comunidades carentes, ensinava que deviam respeitar todos, o colégio em que estudavam, os professores e nos quatro anos que estive envolvido, me deixou orgulhoso o resultado.

FPF: O Marcelo Marcolin foi o seu principal mentor?
Moral: Sem ele eu não estaria aqui comandando o ABD Botucatu. Me passou vários ensinamentos, postura de como ser treinador e devo tudo ao Marcolin.

FPF: Como é em sua primeira oportunidade, ser técnico de um time feminino?
Moral: Não é fácil, me dedico 24 horas por dia, só assim se consegue sucesso, mas para mim está sendo prazeroso, as meninas entendem a forma como eu trabalho, sou o meio termo entre o durão e o paizão, sempre deixo aberto para elas tirarem dúvidas, opinarem no esquema tático e o ambiente é o melhor possível.

FPF: Tem muita vaidade entre as jogadoras do elenco do ABD Botucatu?
Moral: Elas fazem com carinho o que gostam, não tem frescura, são solícitas, trabalham forte, sempre demonstrando enorme simplicidade. Nada daquele ‘glamour’ que vemos no futebol masculino.

FPF: Você já teve alguma história inusitada nesta sua curta carreira como técnico?
Moral: Até o momento nunca. Só que quando o time estava perdendo para o Rio Preto, eu substituí duas jogadoras e viramos o placar e acabei virando o rei de Botucatu. Quando sofremos uma derrota diante da Ferroviária por 2 a 0, fiz duas modificações, mas não reverti o marcador e virei o vilão, nestes momentos negativos que eu adquiro experiência em melhorar ainda mais.

FPF: Qual treinador fora o Mourinho que você admira?
Moral: Eu gosto do jeito como o Bernardinho comanda a seleção masculina de vôlei. Admiro o Telê Santana desde a minha infância, sou fã do Felipão também e na Europa a forma como o Arsène Wenger do Arsenal da Inglaterra trabalha é impressionante.

FPF: Que dica você queria deixar para quem pretende seguir a carreira como técnico?
Moral: Estude muito, procure ler estudos científicos, conhecer sobre preparação física, aspectos fisiológicos... Se você não obtiver esta preparação, dificilmente conseguirá liderar uma comissão técnica.

Tags:
Edições digital e impressa