Amanhã (16), a partir das 16 horas, será realizada a marcha "Por Justiça e contra a militarização no México”, no estado mexicano de Oaxaca, no marco do Movimento Nacional pela Paz com Justiça e Dignidade. Os manifestantes sairão do Instituto Estatal de Educação Pública (IEEPO) em direção ao Zócalo da capital.
O protesto tem por objetivo exigir justiça às violações cometidas pelo Estado e pela Polícia durante conflitos com militantes da Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO) entre os anos de 2006 e 2007.
Os participantes irão reforçar que o povo não esqueceu episódios marcantes de repressão policial, como o assassinato do militante da APPO, Lorenzo San Pablo Cervantes, na madrugada de 22 de agosto de 2006; a séria agressão sofrida pelo também ativista da Assembleia, Emeterio Marino Cruz, torturado por policiais estatais no dia 16 de junho de 2007; e o desaparecimento de Carlos René Guzmán Salazar, que os manifestantes exigem ser apresentado com vida.
Além disso, querem solução para o conflito político que os indígenas triquis enfrentam, deslocados forçadamente do Município Autônomo de San Juan Copala (MASJC), em Oaxaca, desde setembro do ano passado.
De acordo com a ativista Kerlin Cruz Franco, filha de Emeterio Marino Cruz, ao chegarem ao Zócalo da capital, os manifestantes acenderão velas em memória das 46 mil pessoas mortas na guerra contra o narcotráfico, levada a cabo pelo presidente mexicano Felipe Calderón desde que assumiu o governo, em 2006. Ela informou que entre as vítimas, contabiliza-se 1.500 jovens menores de 16 anos, moradores de cidades fronteiriças no México.
Kerlin também denunciou que até hoje, passados quatro anos da agressão contra o pai dela, a lei não foi aplicada a nenhum dos culpados. Emeterio Cruz sofreu torturas que o deixaram com graves sequelas, as quais carregará pelo resto da vida. Por isso, ressaltou a necessidade de mobilização popular para que o governo seja pressionado a fazer justiça.
"Nós estamos em um protesto social pacífico, no qual exigimos que o governo de Gabino Cué cumpra as promessas que fizera ao povo de Oaxaca durante sua campanha, na qual aplicaria a justiça contra os responsáveis da repressão em Oaxaca”, disse.
Movimento Nacional pela Paz com Justiça e Dignidade
O movimento é encabeçado pelo poeta e escritor Javier Sicilia, cujo filho foi assassinado por um grupo de traficantes, em março deste ano, no estado de Morelos.
Entre os dias 5 e 8 de maio, o movimento organizou a Caminhada-Marcha pela Paz com Justiça e Dignidade, que percorreu 85 quilômetros, saindo de Morelos em direção à capital nacional, Cidade do México.
Já no dia 4 de junho, a marcha saiu novamente de Morelos, mas desta vez com destino a Ciudad Juárez, considerada a "capital da violência", onde houve um protesto, no dia 9. Os ativistas percorreram cidades como Morelia, Michoacán, San Luis Potosí, Zacatecas, Durango, Saltillo, Monterrey e Torreón.
Com informações de coberturaoaxaca.com
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