A Casa Branca tira nesta segunda-feiraas suas melhores toalhas de mesa do armário, os talheres de prata doados por uma rica herdeira de Montana e o aparelho de jantar Lenox adquirido pelos Clinton para tratar bem a rainha Elizabeth II da Inglaterra.
O que já ficou conhecido como "acontecimento social do ano" é o primeiro jantar de "gala" da Presidência de George W. Bush, que quer esclarecer, com a majestuosa cerimônia, que os "Estados Unidos não têm um aliado e um amigo mais próximo que o Reino Unido".
A agenda inclui um jantar com 134 convidados, ao qual Bush comparecerá vestindo fraque - indumentária que não é freqüentemente usada pelo pouco protocolar rancheiro do Texas, que gosta de pôr os pés em cima da mesa e beber água na garrafa.
Cada uma das 13 mesas do jantar de gala será arrumada com "significativas peças históricas" da coleção da Casa Branca, que inclui candelabros e peças ornamentais com vários séculos de história.
O jantar de cinco pratos terá aperitivos, sopa, peixe, carne, salada e sobremesa.
A Casa Branca distribuiu uma lista pequena com conselhos protocolares sobre o tratamento que deve ser dispensado à rainha, alguns dos quais foram dirigidos à imprensa, como a recomendação de se dirigir à soberana como Vossa Majestade e ao duque de Edimburgo como Vossa Alteza.
Além disso, quando Elizabeth II acabar sua refeição, todos devem ter terminado de comer, uma sugestão que Bush - famoso por comer rápido - provavelmente não terá dificuldades em seguir.
Os organizadores da recepção também contam com sete floristas, que prepararam ornamentos para cada um dos cômodos de acesso público da Casa Branca.
A ornamentação floral oscila de rosas cor creme e lilases brancas do salão onde o jantar será oferecido a rosas amarelo pálido da sala diplomática.
Algumas partes da mansão oficial foram pintadas, e a primeira-dama, Laura Bush, pediu que tirassem a poeira das fotografias de outras visitas da realeza, entre as quais há uma em que Elizabeth II aparece dançando com o presidente Gerald Ford (1974-1977).
A soberana britânica visitou os Estados Unidos pela última vez em 1991, quando o pai do atual presidente ocupava a Casa Branca.
Sua viagem de seis dias pela Costa Leste dos Estados Unidos coincide com a comemoração do 400º aniversário de Jamestown, a primeira colônia britânica permanente nos Estados Unidos, fundada em 1607 às margens do rio James, por onde cerca de cem colonos cruzaram o Atlântico em busca de fortuna.
A rainha visitou o território na sexta-feira e participou, no sábado, da 133ª edição da tradicional corrida de turfe Derby de Kentucky, no hipódromo de Churchill Downs.
A agenda também inclui uma viagem na terça-feira pelo centro espacial Goddard da Nasa, em Maryland, e visitas a um hospital de crianças em Washington e ao Memorial da Segunda Guerra Mundial.
Amizade
"Nossos países têm uma relação excepcionalmente próxima, baseada em profundos laços culturais e históricos, uma língua comum, valores e interesses compartilhados e o compromisso com a defesa da liberdade ao redor do mundo", informou a Casa Branca em comunicado.
Os atos de boas-vindas começarão às 10h50 (11h50 em Brasília), quando a rainha britânica e seu marido, o príncipe Philip, duque de Edimburgo, devem chegar aos jardins da residência oficial americana.
O casal real será recebido com uma salva de 21 tiros de canhão e os hinos nacionais dos dois países, em uma cerimônia que terá a presença de cerca de sete mil pessoas, entre diplomatas, congressistas, funcionários do Departamento de Estado, membros do gabinete e grupos de estudantes.
Bush e a detentora da coroa britânica passarão em revista as tropas postadas nos jardins da Casa Branca e farão um breve pronunciamento.