Em nome de Deus, seis pastores estão pedindo, através de carta aos evangélicos, para a população de São Luís não votar no candidato do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e do Partido dos Trabalhadores (PT), o deputado federal Flávio Dino.
A alegação dessas pessoas é que os comunistas matam cristãos, não acreditam em Deus e vão fechar as igrejas. Tais como profetas do apocalipse, esses pastores espalham o medo para colher votos a favor do seu próprio candidato, o deputado João Castelo.
Esquecem ou ignoram propositalmente que socialistas e cristãos se uniram nos momentos mais terríveis da história do nosso povo para defender a liberdade e a vida humana; para defender a liberdade de crença e opinião de cada pessoa em nosso país.
A liberdade política e religiosa que vivemos hoje e que faz do nosso país um lugar único no mundo é o resultado também dessa aliança, em que socialistas e cristãos responderam o próprio desafio ético e político lançado por Cristo aos seus discípulos.
Um dia, os apóstolos perguntaram a Jesus quem sentaria ao seu lado no Reino dos Céus. E Cristo respondeu: quem visitar os órfãos, quem libertar os cativos, quem der água a quem tem sede, quem der comida a quem tem fome, quem acolher o estrangeiro.
Nesta resposta, Jesus estabelece a premissa ética e política do cristianismo: o cuidado com o outro, o nosso irmão. E este princípio, posto por Cristo, extrapola as fronteiras do cristianismo e funda o que hoje, todos nós, chamamos de humano.
Jesus defende a dignidade do homem em nome da esperança. Ele não defende a dignidade do homem em nome do medo daquele que embora não sendo igual a mim, comunga comigo a esperança em um mundo melhor, em uma sociedade justa e fraterna.
Todos aqueles que lutam por liberdade e justiça compartilham a mesma esperança, a esperança em uma terra sem males. Na política, o que nos une e o que divide é a busca por liberdade e justiça. E esse é o critério ético pelo qual devemos julgar a política.
Cabe a crítica política e ética aos programas e candidatos que negam a esperança de um mundo melhor, mas não cabe, em nome de nenhuma crença, espalhar o medo contra aqueles que não aceitam a perpetuação do medo e da servidão.
Eu, como o Pastor Luther King, tenho um sonho. O sonho de uma cidade em que toda criança tenha escola, comida, casa, lazer e alegria. E eu quero compartilhar esse sonho com todas as pessoas que acreditam ser possível construir uma cidade para todos.
Para construir esse sonho, nós não podemos abrir mão daquilo que conquistamos nos últimos anos: a liberdade política e religiosa, expressa na separação entre Igreja e Estado e no respeito às crenças políticas e religiosas de cada cidadão brasileiro.
Os que, em nome de Deus, espalham o medo tentam, na verdade, matar a esperança que alimenta a nossa busca por uma terra sem males, por uma cidade para todos. Mas, como já cantou o poeta e já anunciou o profeta, a esperança é mais forte que o medo.
Francisco Gonçalves é professor da UFMA.
Em nome da esperança
Por Francisco Gonçalves - Em nome de Deus, seis pastores estão pedindo, através de carta aos evangélicos, para a população de São Luís não votar no candidato do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e do Partido dos Trabalhadores (PT), o deputado federal Flávio Dino.(Leia Mais)
Sexta, 24 de Outubro de 2008 às 12:32, por: CdB