Depois da morte, é normal que se façam elogios a qualquer pessoa, mesmo não sendo merecedora, foi o que presenciamos recentemente com o falecimento do fundador da Globo. Mas no caso de Leonel de Moura Brizola, podemos fazer elogios por seu verdadeiro merecimento. Falar em Brizola, mais do que uma questão ideológica, é uma questão de honra. E para falar neste compatriota querido vou recorrer a quem me ensinou a admira-lo. Meu pai costumava dizer, quando Brizola estava vivo, que ele era verdadeiramente um brasileiro que amava a pátria, este era um verdadeiro patriota, ao qual poderíamos confiar o governo da nação.
Se agora faço elogios ao líder trabalhista, não posso esquecer que, por uma questão de coerência, a mais ou menos um ano atrás, lamentei suas excessivas críticas ao governo Lula. Quando o critiquei por isso, faltou dizer que Brizola era um ser humano inquieto, ele queria ver o Brasil mudar sem demora. Já sentia o peso da idade e das suas lutas, mas queria ver a mudança com os próprios olhos. Por amor à pátria, Brizola insistia que o governo fosse logo dando um novo rumo ao país. Leonel Brizola foi assim quase que a vida inteira, sempre se esforçando para que as coisas realmente acontecessem, e que não ficassem somente no discurso. Por isso é que muitos temeram o seu nome e até o impediram de chegar a ser presidente do Brasil. Meu pai costuma dizer que a presidência da República deveria ser de Brizola por uma questão de merecimento. Ele foi exilado porque queria o bem de seu povo, e assim como outros brasileiros também exilados, ele teve de ficar muitos anos distante de sua Pátria, porque representava uma ameaça aos interesses dos poderosos. Brizola realmente era digno de ser nosso presidente, mas perdeu a oportunidade em 1989. E essa possibilidade praticamente foi esgotada em 1994. Mesmo assim, o brasileiro fiel, o gaúcho ilustre, Leonel Brizola, continuou lutando por um governo popular e democrático para o Brasil. Com toda a sua trajetória de uma expressiva liderança, ele aceitou ser candidato a vice na chapa de Lula. E isso ele fez, não porque era a ultima chance, mas por amor ao Brasil, porque realmente queria mudar a vida dos brasileiros.
O nome de Leonel Brizola, muito mais do que ser homenageado com nomes de ruas, viadutos, praças, escolas, etc, deve estar permanentemente em nossas memórias como alguém que serve de exemplo a ser seguido. Contradições e limites, todo ser humano tem, mas Brizola soube superar isso e colocar seus dons e virtudes a serviço do povo brasileiro. O exemplo mais digno de Brizola é a sua coerência, seu compromisso com a verdade e a ética. Foi uma vida de 82 anos, e nunca ninguém pode acusa-lo de nenhum tipo de fraude, de corrupção. E toda a sua carreira política foi marcada pela transparência. Ele jamais teve medo de dizer a verdade, doesse como doesse. Brizola teve consigo uma das mais belas qualidades que um ser humano possa ter: a coerência. Ele agia de acordo com as suas convicções, e isso sempre esteve claro. Pelo que sei de Brizola, na vida pública, ele nunca enganou, nunca traiu a ninguém.
Frei Pilato Pereira (Frade Capuchinho de Canoas - RS) pilato@terra.com.br