Protestos e barricadas na segunda-feira nas províncias e um ataque com granada perto da casa de um político agravaram o clima de tensão na Tailândia, depois de o primeiro-ministro rejeitar os apelos dos manifestantes pela convocação de eleições.
Os manifestantes fortificaram o seu amplo acampamento no principal bairro comercial de Bangcoc, pedindo aos seus apoiadores nas províncias do norte que impeçam comboios policiais e militares de chegarem à capital.
O primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva rejeitou na segunda-feira a pressão para convocar eleições dentro de 30 dias, a fim de realizá-las em no máximo dois meses. As sete semanas de protestos paralisam a capital e já mataram 26 pessoas.
Investidores à caça de barganhas neste momento delicado fizeram com que a bolsa local tivesse alta de 1,6% na segunda-feira, superando outros mercados asiáticos, mas as corretoras disseram que esse resultado foi frágil e que o risco de violência prenuncia turbulências no mercado nos próximos dias.
Chris Wood, analista da corretora CLSA, disse na segunda-feira que reduziu a zero seus novos investimentos em ações tailandesas. "Todas as evidências ainda apontam para um impasse inflamatório na política tailandesa", disse ele em nota a seus clientes.
Agravando a tensão, uma granada foi lançada na noite de domingo contra um posto de polícia perto da casa de Banharn Silapa-Archa, assessor da direção do partido Chart Thai Pattana, deixando pelo menos 11 feridos, segundo um centro médico.
Banharn é um ex-premiê que já esteve em vários campos políticos. Os manifestantes têm pressionado o Chart Thai e outros partidos governistas a abandonarem a coalizão de Abhisit, para obrigar à realização de novas eleições.
Os manifestantes "camisas vermelhas" são formados majoritariamente por classes baixas urbanas e rurais, simpáticas ao ex-premiê Thaksin Shinawatra. Por orientação de seus líderes, eles montaram várias barricadas em redutos do norte e leste do país, sendo pelo menos três delas em províncias vizinhas à capital.
Cerca de cem manifestantes protestaram diante da sede da polícia na província de Chachoengsao, para tentar impedir o envio de policiais de lá para Bangcoc.
A elite tailandesa pressiona Abhisit a agir com mais dureza contra os manifestantes, que disseram ter impedido uma invasão militar do seu acampamento no centro da capital, graças à mobilização de militantes na noite de domingo. O comandante do Exército tem dito repetidamente que o uso da força teria efeitos negativos, podendo levar a uma fuga ainda maior de moradores e comerciantes do centro da cidade, o que já tem ocorrido nas últimas semanas.
– O governo não pode se dar ao luxo de mais uma rodada de fracasso e frustração, e vai ser difícil entrar e dispersar sem baixas pesadas os manifestantes que se colocaram detrás de barricadas numa pequena área – disse Prinya Thewanaruemitkul, conferencista de direito na Universidade Thammasat.
Em meio a barricadas, crise na Tailândia se agrava
Protestos e barricadas na segunda-feira nas províncias e um ataque com granada perto da casa de um político agravaram o clima de tensão na Tailândia, depois de o primeiro-ministro rejeitar os apelos dos manifestantes pela convocação de eleições.(Leia Mais)
Segunda, 26 de Abril de 2010 às 06:52, por: CdB