A Casa Branca disse na quarta-feira que o Iraque deve enfrentar a violência durante muitos anos, mas que, conforme as forças locais assumirem o controle, as tropas dos EUA poderão ser retiradas. Em discurso na Academia Naval dos EUA, em Annapolis (Maryland, Costa Leste), o presidente George W. Bush deve reagir na quarta-feira às críticas de que seu governo não tem uma estratégia clara para o Iraque. Antes do discurso, a Casa Branca divulgou um documento intitulado "Nossa Estratégia Nacional para a Vitória no Iraque", repetindo a posição oficial de que estabelecer um cronograma para retirar as tropas seria nocivo, porque daria ânimo aos insurgentes.
- Nenhuma guerra nunca foi vencida sobre um cronograma, e nem esta será - diz o documento.
Muitos políticos, inclusive republicanos, propõem a retirada das tropas norte-americanas do Iraque, e a guerra é cada vez mais impopular junto à opinião pública. Mais de 2.100 soldados dos EUA já morreram e outros 16 mil ficaram feridos no Iraque desde o começo da ocupação, em março de 2003. O texto da Casa Branca diz que "não é realista" esperar uma democracia plenamente funcional, capaz de derrotar seus inimigos, menos de três anos depois da deposição de Saddam Hussein. O governo norte-americano considera como uma vitória o fato de o país ter eleições parlamentares marcadas para 15 de dezembro. A Casa Branca define "o inimigo" como sendo os membros de três grupos diferentes que se opõem a um novo Iraque. "Explorar essas diferenças dentro do inimigo é um elemento-chave da nossa estratégia", diz o texto.
Os "rejeicionistas" formam o maior desses grupos. Em geral, são árabes sunitas que tinham poder durante o regime de Saddam. "Julgamos que, ao longo do tempo, muitos nesse grupo passarão a apoiar um Iraque democrático, desde que o governo federal proteja os direitos das minorias e os legítimos interesses de todas as comunidades", diz a estratégia da Casa Branca.
Os "saddamistas", simpáticos ao antigo regime, sonham em restabelecer uma ditadura. "Julgamos que poucos desse grupo podem ser conquistados para o apoio a um Iraque democrático, mas esse grupo pode ser marginalizado a um ponto em que possa e será derrotado pelas forças iraquianas."
Finalmente há os "terroristas", ligados à rede Al Qaeda ou por ela inspirados. É o menor dos três grupos, mas o mais violento, representando uma ameaça imediata. "Este grupo não pode ser cooptado e deve ser derrotado -- morto ou capturado -- por meio de operações sustentadas de contra-terrorismo", diz o documento. Historicamente, avalia o texto, o terrorismo e as insurgências levam anos para serem derrotados. "O Iraque deve lidar com algum nível de violência durante muitos anos pela frente", afirma.
Para a Casa Branca, a falta de um cronograma de retirada não significa que os EUA permanecerão estáticos. "Esperamos, mas não garantimos, que nossa postura de força mudará no próximo ano, conforme o processo político avance e as forças de segurança iraquianas cresçam e ganhem experiência", diz o documento.
Enquanto isso
As declarações coincidem com a informação de que o governo japonês deve estender a atual missão militar do país no Iraque. Fontes ouvidas pela agência de notícias japonesa Kyodo disseram que a missão, que acabaria em 14 de dezembro, deve ser renovada na semana que vem, mas ainda poderia ser encerrada mais cedo do que o previsto em um anúncio posterior. Um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro Junichiro Koizumi não confirmou a informação, mas disse que a questão será tratada em breve. O Japão tem pelo menos 500 soldados estacionados em Samawa, no sul do Iraque, onde realizam o treinamento de militares iraquianos e não se envolvem em operações de combate.
Pelo menos nove pessoas morreram e duas ficaram feridas nesta quarta-feira, quando homens armados atacaram um microônibus perto de um vilarejo xiita nos arredores de Baquba, a no