Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

Em lágrimas, Stoltenberg diz que país não consegue entender tragédia

Domingo, 24 de Julho de 2011 às 01:16, por: CdB

Nesta manhã de domingo (24/07), um serviço religioso na catedral de Oslo homenageou as 92 vítimas dos ataques da sexta-feira. O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, dirigiu-se à nação e lembrou algumas vítimas por nome, lamentou a tragédia e, em lágrima, disse que "o país não consegue entender essa catástrofe".

Stoltenberg se disse orgulhoso de viver num país que se uniu diante dessa tragédia, prometeu que a Noruega não vai desistir dos seus valores, e adicionou:  "Se um homem pode demonstrar tanta crueldade, imagine quanto amor nós todos juntos podemos demonstrar".

Também estavam presentes no serviço religioso o rei da Noruega, Harald V, a rainha Sonia, além de políticos do alto escalão. Do lado de fora, uma multidão acompanhou a cerimônia, transmitida ao vivo por diversos canais internacionais de notícias.

Mais cedo, o primeiro-ministro havia falado com a imprensa sobre o caso. "Em comparação com outros países, eu não diria que nós temos um grande problema com os extremistas da extrema direita na Noruega. Mas nós tivemos alguns grupos, nós os seguimos antes, e nossa polícia está consciente que existem alguns grupos do tipo", respondeu Stoltenberg, procurando não especular sobre as motivações dos atentados.

Acusado confessa

Depois de confessar ter disparado contra os jovens que participavam do acampamento do Partido Trabalhista, na ilha de Utøya, na última sexta-feira (22/07), Anders B. admitiu ser o responsável pela explosão da bomba em Oslo, detonada cerca de duas horas antes do início do massacre na ilha.

"Ele admitiu os dois fatos, a explosão da bomba e o tiroteio, embora ele não admita culpa criminal", disse neste domingo Sveinung Sponheim, investigador da polícia norueguesa.

O advogado do homem preso desde o dia dos atentados afirmou que o autor dos ataques queria "mudar a sociedade" por meio dos seus atos. Em entrevista ao canal norueguês NRK, Geir Lippestad, advogado do acusado, contou que Anders B. intencionava "atacar a sociedade, seus fundamentos, e a maneira como a sociedade é governada."

Durante o tiroteio na pequena ilha, 85 pessoas morreram e outras sete foram mortas depois da explosão da bomba na capital. O advogado do acusado não quis comentar sobre os motivos que levaram seu cliente a cometer os crimes, e informou mais detalhes serão revelados na audiência agendada para esta segunda-feira.

Ato de um homem só

Também neste domingo, a polícia confirmou que Anders B. disse que teria agido sozinho. As autoridades ainda trabalham com a possibilidade de "uma ou várias" pessoas terem participado do atentado na ilha. Algumas testemunhas contaram ter visto um segundo atirador naquela ocasião.

"Durante o interrogatório, ele disse que agiu sozinho. Nós vamos tentar verificar isso ao longo da nossa investigação", disse Sveinung Sponheim, investigador de polícia. Segundo o policial, os ataques deixaram pelo menos 97 pessoas feridas.

No entanto, ainda há busca por desaparecidos. "Ainda há pessoas que não foram encontradas no quarteirão administrativo", disse Sponheim, referindo-se ao local onde a bomba explodiu em Oslo. 

Autora: Nádia Pontes

 

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