Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Em dia tenso, CPI decide aprova novo depoimento de Valério

Em sessão tumultuada, a CPI dos Correios aprovou nesta quinta-feira a quebra dos sigilos das empresas de Marcos Valério de Souza, acusado de ser operador do chamado "mensalão", e decidiu reconvocar o publicitário. (Leia Mais)

Quinta, 14 de Julho de 2005 às 21:12, por: CdB

Em sessão tumultuada, a CPI dos Correios aprovou nesta quinta-feira a quebra dos sigilos das empresas de Marcos Valério de Souza, acusado de ser operador do chamado "mensalão", e decidiu reconvocar o publicitário.

A nova convocação foi causada pelas contradições reunidas pelos parlamentares em seu primeiro depoimento, prestado semana passada. O segundo depoimento deverá acontecer no início de agosto, segundo previsão do presidente da CPI, senador Delcidio Amaral (PT-MS).

Também foi aprovado a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico da empresa Skymaster Airlines e de seus sócios. Dentre eles, Luiz Otávio Gonçalves que prestou depoimento na quarta-feria à CPI.

A empresa possui um contrato de transporte de cargas com os Correios que tem sua renovação investigada pelos parlamentares.

Foram quebrados, ainda, os sigilos de Geiza Dias, assessora da SMPB, e de Alexandre Vasconcelos, motorista da empresa. Ela teria feito saques de altas somas em dinheiro de contas das empresas de Valério e ele teria ajudado no transporte dos valores.

Na próxima terça-feira, os integrantes da CPI ouvirão o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. Na quarta-feira, está previsto o depoimento do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares.

BANCO CENTRAL

Diante da falta de consenso na aprovação da pauta de votações, a audiência marcada para ocorrer na tarde de hoje entre membros da CPI e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi remarcada para as 11h30 de sexta-feira.

No encontro, Delcidio pedirá agilidade ao BC na liberação dos documentos solicitados pelos parlamentares.

A partir do recebimento dos documentos, o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), vai indicar parlamentares para comporem três sub-relatorias que deverão auxiliá-lo na confecção do relatório final dos trabalhos. Elas serão divididas nas áreas fiscal e tributária, sistema financeiro e contratos.

"É uma maneira de nós darmos celeridade aos trabalhos", disse Serraglio.

A comissão, ainda, nomeou um grupo formado por cinco parlamentares para ir até Belo Horizonte (MG) onde a Polícia Civil do Estado flagrou um ex-policial incinerando documentos de uma das empresas de Marcos Valério, a DNA Propaganda.

Os indicados foram os senadores Heloísa Helena (Psol-AL) e Sibá Machado (PT-AC), e os deputados Eduardo paes (PSDB-RJ), Onyx Lorenzoni (PFL-RS) e Jamil Murad (PcdoB-SP).

VOTAÇÃO TENSA

A reunião da CPI para a votação dos requerimentos foi tensa e, por muito pouco não terminou em agressão física entre o senador Sibá Machado (PT-AC) e o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

A confusão ocorreu porque a oposição insistia em votar a quebra dos sigilos do ex-presidente do PT José Genoino, do ex-tesoureiro da legenda Delúbio Soares, além do ex-secretário-geral Sílvio Pereira e do deputado José Dirceu (PT-SP).

Os parlamentares da bancada governista insistiram que os sigilos já estão abertos em função de ofícios enviados à CPI pelos investigados liberando o vasculhamento de seus dados. A assinatura desses documentos foi articulada por Machado.

Arnaldo Faria de Sá afirmou que os documentos enviados à CPI não tinham nenhuma validade jurídica e queria a votação dos requerimentos em plenário. Machado não gostou e se sentiu desacreditado pelo colega. Os parlamentares quase se enfrentaram na saída da sala de sessões.

Na sessão foram aprovados outros 36 requerimentos. Dentre eles estão pedidos de solicitação de documentos bancários e cópias de contratos de empresas que prestam serviços aos Correios.

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