Em uma sessão marcada pela monotonia nas mesas de operações, o dólar encerrou em leve alta nesta sexta-feira, vendido a 3,142 reais, com os investidores digerindo o noticiário político da véspera.
Segundo analistas, prevaleceu o pessimismo com a derrota do governo na votação do novo salário mínimo no Senado. Em contrapartida, o mercado gostou da aprovação do texto básico da Lei de Falências.
Com isso a moeda norte-americana encerrou com uma leve alta de 0,45 por cento. Entre as cotações máxima e mínima do dia, no entanto, a divisa oscilou apenas 1 centavo de real.
"O mercado esteve completamente de lado hoje e essa alta, que, na verdade, para mim, foi apenas um ajuste, reflete os acontecimentos de ontem no Senado, com a aprovação de um mínimo maior do que o que governo propôs", resumiu Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper no Rio de janeiro.
Em uma das maiores derrotas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o Senado Federal aprovou na quinta-feira o aumento do salário mínimo para 275 reais, acima da proposta do governo de 260 reais.
Nesta tarde, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, procurou defender a articulação política do governo e mostrar confiança que a decisão do Senado será revista pelos deputados.
Palocci lembrou que a votação ainda não está concluída, já que o tema voltará a ser apreciado pela Câmara, e disse estar "bastante otimista com o procedimento porque todos sabem da importância dessas decisões".
"Mas o dia foi muito morto mesmo. Eu não vi fluxo, hedgers e nem mesmo os especuladores no mercado. Os mercados lá fora estavam muito tranquilos também e o fato é que ninguém está vendo motivo algum para se fazer qualquer tipo de posição", acrescentou Knauer.
Segundo o profissional, na próxima semana o mercado deve seguir atento aos acontecimentos políticos e ao fluxo cambial.
"Na semana que vem ... o mercado vai acompanhar de perto as notícias de Brasília e flutuar ao sabor do fluxo, já que há muitos vencimentos previstos", disse.