Rio de Janeiro, 24 de Agosto de 2026

Em dez dias, pedidos de remoção de caramujo africano no Rio já superam média mensal

Terça, 11 de Janeiro de 2011 às 09:36, por: CdB

Rio de Janeiro - O excesso de umidade causado pelas chuvas desta época do ano, somado ao calor típico do verão, favorece a proliferação dos caramujos africanos em diversas áreas do Rio de Janeiro. Somente nos dez primeiros dias do ano, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) recebeu 200 chamados de pessoas que verificaram a incidência do molusco, o que já supera a média mensal de 175 solicitações para remoção dos caramujos.

De acordo com a Comlurb, ao longo de todo o ano passado foram coletados pelas equipes de limpeza 804.686 caramujos, sendo o bairro de Campo Grande, na zona oeste, o que registrou maior número de infestação em 2010: 91.174 unidades coletadas.

De acordo com a malacologista (profissional que estuda os moluscos) e pesquisadora Silvana Thiengo, que trabalha no Instituto Oswaldo Cruz, ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a espécie foi trazida para o Brasil há cerca de 30 anos com finalidade comercial, para ser utilizado na culinária em substituição ao escargot. A iniciativa não deu certo e a criação foi abandonada.

Com isso, o caramujo se reproduziu em diversas regiões do país, preocupando as autoridades e a população, principalmente durante os meses de verão. Silvana alerta que o contato com o verme que utiliza o caramujo como hospedeiro pode provocar um tipo de meningite. “É uma meningite mais branda, que raramente leva à morte, mas provoca muito incômodo, como febre e dor de cabeça.”

Segundo a pesquisadora, a concha do animal também pode, após sua morte, acumular água e se transformar num foco de criação do mosquito da dengue. Ela explicou que, para evitar esses problemas, o controle desse caramujo deve ser feito com a catação manual periódica dos animais e sua posterior eliminação.

“Há ocorrência de caramujos africanos em 24 estados do país, além do Distrito Federal, mas na área do litoral e especialmente na Região Sudeste a infestação costuma ser maior. O ideal é fazer a catação sempre com o uso de luvas e mergulhar os animais em um recipiente com uma solução de três partes de água e uma de cloro durante 24 horas. Após esse período, é preciso descartá-lo ensacado no lixo doméstico”, explicou.

De acordo com ela, esse método é o mais seguro e eficaz, mas há ainda a possibilidade de se atear fogo ao molusco após a catação ou ainda de jogar sal sobre ele, o que provoca sua morte por desidratação.

Ela alerta para a necessidade de que a população esteja atenta ao consumo de verduras, frutas ou legumes oriundos de plantações onde haja suspeita da presença de caramujos africanos. Para garantir a limpeza desses alimentos, é preciso mergulhá-los por 30 minutos em uma solução de 1 litro de água com uma colher de sopa de cloro e em seguida lavá-los com água filtrada.

O aposentado Eli de Freitas, morador da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, contou que é comum verificar, especialmente em terrenos baldios da região, a proliferação dos caramujos africanos quando as temperaturas aumentam.

“Por ser perto da praia, essa região é muito úmida e deve facilitar a incidência desses bichos. Todo ano a gente vê nesta época os caramujos aparecendo, principalmente em terrenos abandonados. Em alguns, tem tantos bichos que eles chegam a subir pelos muros e assustam quem mora perto ou passa pelo local. Dá muito nojo”, afirmou.

Para solicitar a retirada dos moluscos, a Comlurb disponibiliza um serviço de teleatendimento, pelo número 2204-9999. A Fiocruz também oferece um telefone para orientar a população sobre como proceder no combate aos caramujos africanos. Neste caso, o número é (21) 2598-4380, ramal 124.

Edição: Juliana Andrade

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