Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Em crise ética e com ajuda de Dilma, PMDB lança plano 'hegemônico'

Quinta, 15 de Setembro de 2011 às 15:01, por: CdB

Em crise ética e com ajuda de Dilma, PMDB lança plano 'hegemônico'Em fórum nacional, PMDB delineia estratégia para avançar na eleição municipal de 2012 e manter-se como maior partido do país. Com bandeiras na saúde e na educação, plano prevê caça a militantes na internet. Peemedebistas tentaram contornar embaraço de perder dois ministros por desvio ético e contaram com apoio de Dilma Rousseff, em inesperada aparição.

André Barrocal

BRASÍLIA – Com a estampa arranhada após perder, em um mês, dois ministros acusados de desvio ético, o PMDB realizou, nesta quinta-feira (15/09), um fórum nacional para expor os planos com os quais espera sair das urnas em 2012 ainda como o partido de mais prefeitos e vereadores. E, para tentar espraiar a imagem de defensor de educação e saúde, ao mesmo tempo em que contornaria questões éticas, teve a ajuda da presidenta Dilma Rousseff. Ela mudou a agenda e foi ao encontro do “aliado fundamental”.

Dilma subiu ao palco do Centro de Convenções de Brasília - que por coincidência leva o nome de um peemedebista histórico, Ulysses Guimarães - no instante em que o líder do partido na Câmara, Henrique Alves (RN), puxava palmas à legenda. Deputado mais antigo do país, com 41 anos de mandato, Alves disse que era uma resposta a “notinhas de jornal” que haviam sugerido que o fórum seria manchado pelo clima pós-degola do peemedebista Pedro Novais do ministério do Turismo.

A demissão dominara os bastidores iniciais do encontro, assistido por uma platéia de cerca de 2 mil pessoas, em boa parte formada por prefeitos e vereadores. Os jornalistas queriam saber dos caciques peemedebistas – e havia muitos presentes, entre governadores, ministros, parlamentares - qual seria o tamanho do estrago da exoneração no PMDB e no fórum.

“O partido respondeu da melhor maneira possível, com rapidez”, defendia-se o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). “Nem todos os ministros que saíram houve comprovação [de culpa]. Os dois pediram para sair”, dizia o presidente da sigla, senador Valdir Raupp (RO), aludindo ainda a Wagner Rossi, o outro peemedebista afastado por suspeita de corrupção.

Rossi era um ministro peemedebista especial, pois indicado pelo vice-presidente da República, Michel Temer. Dilma chegou ao fórum junto com Temer e dedicou as primeiras palavras a fazer carinho no PMDB. “É um partido aliado fundamental do meu governo”, afirmou Dilma, emendando um “parabéns” aos temas escolhidos pela legenda para debater no encontro.

Plataforma
Educação, saúde, meio ambiente e segurança eram os quatro assuntos principais do fórum, e Dilma aproveitou o discurso para propaganderar o governo em cada uma das áreas, de olho numa platéia com poder de fazer as ações oficiais se multiplicarem. Segundo o PMDB, 1,1 mil prefeitos e 8,5 mil vereadores são filiados ao partido.

Os quatro assuntos também seriam debatidos em painéis individuais, com palestrantes que se identificam com eles no partido. Na educação, o deputado Gabriel Chalita (SP), ex-secretário da Educação do governo de São Paulo. Na saúde, os deputados Darcísio Perondi (RS), presidente da Frente Parlamentar da Saúde, e Saraiva Felipe (MG), ex-ministro da Saúde. No meio ambiente, os senadores Eduardo Braga (AM), ex-governador do Amazonas, e Luiz Henrique (SC), relator do novo Código Florestal. Na segurança, o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

As prioridades do PMDB integram plataforma de 15 pontos apresentados no fórum e que devem ser aprovados em um Congresso peemedebista em dezembro, como direitrizes políticas a ser seguidas na eleição do ano que vem. Universalização da educação em todos o níveis, mais dinheiro para a saúde, caça a militantes nas redes sociais, liberdade de imprensa e redução da jornada de trabalho são outros itens da agenda do partido.

“Nesse fórum, iremos partir para mantermos a hegemonia”, disse Raupp, que planeja fazer o PMDB crescer a ponto de criar condições para lançar uma candidatura própria a presidente em 2014. “Sendo fortes e unidos em 2012, o PMDB pode colaborar mais intensamente com o Brasil e com o governo de que participamos”, afirmou Temer.

O PMDB também age para tentar cativar a nova classe média, aquele grupo de 40 milhões de brasileiros que subiram na vida no governo Lula e que não necessariamente votarão em candidatos petistas. Na tentativa de seduzir esse eleitorado, o PMDB conta com o bunker da Secretaria de Assuntos Estratégicos, do ministro Moreira Franco.

Até por delegação de Dilma, a Secretaria tem sido responsável por comandar, dentro do governo, estudos para entender melhor os anseios daquele segmento. “Que a nova classe média, com mais de 52% da população, comece a ver na nossa legenda a defesa de seus interesses”, disse Moreira Franco.


Fotos: Valter Campanato/ABr
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