Aumento do efetivo através da realização de concurso público e um melhor planejamento das ações policiais foram as duas principais metas a serem alcançadas para evitar a morte de policiais civis e militares em serviço no estado, apresentadas pela cúpula da Segurança Pública fluminense. O anúncio foi feito, nesta sexta-feira, durante a última audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio que investiga a morte de policiais no estado.
— Já conseguimos a garantia de 7.500 vagas a serem preenchidas pela realização de concursos até o final deste mandato, mas acreditamos que a melhor forma de evitar as incidências é através de um controle constante das ações policiais —, disse o secretário.
O presidente da CPI, deputado coronel Jairo (PSC), solicitou às autoridades que, somados ao planejamento anunciado, fossem feitos também investimentos em educação, blindagem de viaturas e aumento de salários.
Segundo Beltrame, ações de planejamento e monitoramento já fizeram com que as incidências de morte diminuíssem nos últimos 90 dias.
— A polícia está vigilante, está atenta a esse problema. Criamos comissões e grupos especiais para o estudo dos casos —, afirmou.
— A morte de um policial sempre foi muito investigada. Às vezes, além da sumária, que é a investigação preliminar, iniciamos até dois inquéritos. Agora, além destas etapas, estamos fazendo estudos de caso, que são pesquisas para entender melhor o que vitima os policiais, de acidentes a doenças profissionais —, explicou o secretário.
De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ubiratan Ângelo, 66 policiais militares morreram este ano, sendo que 51 deles estavam de folga e 15, em serviço. Já o chefe da Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, informou que apenas três policiais civis foram mortos em serviço em 2007.
Relator da CPI, o deputado Paulo Ramos (PDT) questionou o secretário de Segurança sobre a política implementada pelo Governo do estado para combater a violência e a criminalidade.
— Nos últimos três anos, 500 policiais foram mortos ou incapacitados por ferimento a bala no estado. É o efetivo de um batalhão! Os senhores não consideram essa política de confronto um dos responsáveis por este número? —, disparou.
— Não existe uma política de confronto. O confronto não é estimulado, mas sabemos da existência de núcleos onde o policial realmente encontra um clima e uma situação de guerra —, admitiu Beltrame.
Reforçando a idéia de enfrentamento, Paulo Ramos insistiu que "a polícia do Rio é reconhecida como a que mais morre, mas também é a que tem maior número de policiais sub judice, ou seja, é a que mais mata".
O presidente da comissão reiterou os pedidos para que a cúpula da Segurança também se debruçasse sobre o aumento dos salários dos policiais no estado.
— É um dos menores soldos do País e isso, evidentemente, impacta na política de combate à violência adotada pelo Governo —, complementou Coronel Jairo.
O deputado Flávio Bolsonaro (PP) quis saber se alguma medida estava sendo tomada para, em vista da falta de policiais, trazer de volta à corporação os profissionais cedidos a outros órgãos.
— Segundo informações que recebi, são 544 policiais militares cedidos apenas à Secretaria de Administração Penitenciária —, informou o parlamentar.
Segundo o coronel Ubiratan, a Casa Civil garantiu à Secretaria de Segurança Pública, esta semana, que os policiais serão chamados de volta à PM.
— Todo e qualquer policial militar nos faz falta e será convocado de volta. Mas entendemos que, em casos como o da Secretaria de Administração Penitenciária, é necessário que seja realizado novo concurso para preenchimento destas vagas —, alegou.
Álvaro Lins
Também estiveram presentes na audiência os deputados Natalino (DEM) e Álvaro Lins (PMDB). A CPI da
Em CPI Beltrame confirma novo concurso para polícia
Sexta, 03 de Agosto de 2007 às 16:32, por: CdB