Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Em comício, Lula lembra que tucano queria vender a Petrobras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a bater pesado nos governos que o antecederam, durante comício realizado na noite passada, em Ribeirão Preto (SP). Ele dirigiu suas críticas aos processos de privatização paulista e federal.

Sexta, 10 de Setembro de 2010 às 10:51, por: CdB
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a bater pesado nos governos que o antecederam, durante comício realizado na noite passada, em Ribeirão Preto (SP). Ele dirigiu suas críticas aos processos de privatização paulista e federal. Acompanhado do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto, e do candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, Lula saiu em defesa da petista como sua sucessora e a chamou de "heroína", diante um público calculado pela Polícia Militar de mais de 8 mil pessoas, em uma noite fria, na na esplanada do Theatro Pedro II, região central da cidade. – Sei o que aquela mulher sofreu, porque foi presa, torturada. Não porque ela era bandida, ela era uma heroína que lutava pela democracia e liberdade. Lula não citou, diretamente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ou qualquer dos governadores do PSDB que se sucedem, há 16 anos, à frente do governo paulista, mas disse que "eles demonstram que não têm competência de governar, porque a única coisa que aprenderam a fazer foi vender o que não era deles; bem público, estradas, ferrovias". – Quando eu entrei, em 2003, eles queriam vender a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa – acrescentou o presidente. Lula também lembrou que "São Paulo não pode ficar na mão de tucano a vida inteira. O século XXI merece coisa melhor, merece mais arrojo, por isso a gente não tem que vacilar". O presidente também lembrou que durante o seu governo o Brasil deixou de ser devedor e passou a ser credor do Fundo Monetário Internacional (FMI). – Essa gente que era metida a sabida ficava de quatro para o FMI. Quem mandou o FMI embora fomos nós. Hoje eles nos devem US$ 14 bilhões – bradou. Em seu discurso, Lula apontou o custo dos pedágios em São Paulo, cujas rodovias foram privatizadas durante os governos do PSDB. – Eles têm de explicar como pode o pedágio custar R$ 46 daqui a São Paulo e de São Paulo a Belo Horizonte (cujas rodovias são federais) R$ 7,70. Daqui a pouco o motorista vai ter de pagar o ar que respira – afirmou. Sem dilma O comício em Ribeirão Preto não teve Dilma Rousseff, mas se transformou numa grande festa para o primeiro neto da candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando. Gabriel nasceu, no início da manhã passada em Porto Alegre. Faixas, cartazes, discursos trouxeram referências ao mais novo “brasileirinho e petista”, nas palavras da candidata do PT ao Senado por São Paulo, Marta Suplicy. Em frente ao palco, muitas avós com netos no colo ou colados na grade de proteção e uma faixa: “Dilma, que o Gabriel seja o anjo do céu na luta do povo brasileiro”. A militante Fátima Rosa disse que se lembrou de 1989, quando carregava o filho Júlio na barriga e foi para o comício ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. – Eu era mãe do Júlio que estava na minha barriga quando fui ao comício do Lula aqui em Ribeirão Preto. Eu quero dar parabéns a Dilma porque ela deixou tudo momentaneamente e foi ficar do lado da filha e cuidar do neto. Foi a coisa mais linda e maravilhosa do mundo o que ela fez – lembrou. A cozinheira Valdelina Antunes, 43 anos, foi ao comício e levou a netinha Thalita Cristina Henrique, de 5 anos, para ver Lula e também deu os parabéns à Dilma. – Parabéns para a Dilma e que no dia 3 de outubro ela esteja lá. Nós estamos torcendo para ela e orando para que ela vença a eleição – afirmou. A neta pediu para ver Lula de perto. Segundo Valdelina, “ela é fã dele”. O presidente também brincou com o nascimento da criança dizendo que preferia que fosse uma menina, para que o seu neto, nascido há algumas semanas, o Pedro, pudesse namorar a moça. – Mas é um menino. Então tenho que esperar nascer o neto do Mercadante ou da Marta – disse, arrancando risadas dos eleitores. No final do comício, o presidente deixou uma ponta de tristeza e um sorriso na platéia. – Desde 1989, vai ser a primeira vez que eu não terei meu nome na cédula. Mas para provar que eu não sou bobo eu escolhi alguém mais bonito e inteligente do que eu para me substituir, a companheira Dilma Rousseff – concluiu.
Tags:
Edições digital e impressa