Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

Em carta, Irã rejeita pressão externa sobre programa nuclear

Segunda, 06 de Outubro de 2008 às 15:38, por: CdB

O Irã entregou nesta segunda-feira uma carta a Javier Solana, chefe da área de política externa da União Européia (UE), ressaltando, segundo meios de comunicação iranianos, que as pressões internacionais sobre o país islâmico não resolveriam a disputa em torno de seu programa nuclear.

A carta foi entregue a Solana, representante das seis potências mundiais envolvidas nas negociações com o Irã sobre a questão, pelo embaixador iraniano na UE, disse Christina Gallach, porta-voz da autoridade européia.

As reportagens divulgadas no Irã disseram que a carta assinada pelo principal negociador iraniano na questão, Saeed Jalili, era endereçada aos ministros das Relações Exteriores das seis potências: EUA, Alemanha, França, Grã-Bretanha, China e Rússia.

- No processo de negociação, as pressões não conseguirão resolver a questão - afirmou Jalili, segundo a agência de notícias Isna, sem fornecer maiores detalhes sobre o conteúdo do texto.

Gallach disse desconhecer o conteúdo da carta.

- Mas a carta está agora nas mãos do senhor Solana - afirmou.

A Press TV, do Irã, disse em uma de suas manchetes do dia: "Irã rejeita pressões sobre seu programa nuclear."

Potências ocidentais temem que a República Islâmica, quarto maior produtor de petróleo do mundo, busque desenvolver a tecnologia nuclear para construir bombas atômicas.

O Irã diz que pretende apenas gerar eletricidade com o programa e descartou repetidas vezes os apelos para que suspenda o enriquecimento de urânio, um processo que pode ser usado para fins civis e militares. Essa postura do país fez com que fosse alvo de três pacotes de sanção aprovados pela Organização das Nações Unidas (ONU) a partir de 2006.

- A carta de duas páginas reflete a opinião do Irã sobre como as seis potências devem conduzir a questão nuclear - afirmou Ahmad Khademolmelleh, porta-voz do Supremo Conselho Nacional de Segurança do Irã.

Em declarações dadas à Reuters, Khademolmelleh disse que a carta seria entregue também à Embaixada da Suíça em Teerã. A Suíça representa os interesses norte-americanos no país islâmico desde que os EUA romperam suas relações diplomáticas com o Irã, depois da Revolução Islâmica de 1979.

Jalili, segundo a Press TV, disse que a postura do Irã era construtiva.

- O Irã diz ter cooperado totalmente com a AIEA e o G5+1 - afirmou o canal de TV, referindo-se à Agência Internacional de Energia Atômica e às seis potências.

Jalili e Solana conversaram pela última vez sobre o programa nuclear iraniano em agosto, por telefone.

Em setembro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma nova resolução exigindo do Irã a paralisação do enriquecimento de urânio. Mas essa resolução não impôs novas sanções conforme desejavam os EUA e seus aliados.

O Irã considerou que a última resolução "não é construtiva" e novamente deixou claro, na segunda-feira, que não se curvaria às pressões internacionais.

- Para nós, não há motivo para mudarmos de estratégia, que é a de não suspender o enriquecimento de urânio - afirmou em uma entrevista coletiva Hassan Qashqavi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

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