O ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, afirmou nesta terça-feira, em entrevista à Rádio CBN, que a carta que comprovaria a existência de contas em seu nome na Suíça é falsa. Ele disse que a correspondência obtida pelo Ministério Público não lhe foi mostrada. Maluf voltou a acusar o promotor público do Estado, Sílvio Marques, de persegui-lo.
Maluf disse ser falss a assinatura em uma carta em que pede para transferir fundos de uma entidade no exterior para contas de seus quatro filhos. "Eu gostaria de fazer uma doação de todo o dinheiro atualmente existente na Fundação White Gold para os meus quatro filhos em partes iguais", diz a carta, em inglês.
Ele pede para encerrar a fundação e distribuir todos os investimentos para a conta a ser aberta pela Durant Internacional Corporation no UBS de Londres.
- Estou sendo surpreendido. Eu vi a carta fotografada tanto no Diário de São Paulo, que é um órgão das Organizações Globo, como no jornal O Estado de São Paulo. E quero dizer a você peremptoriamente, quem está falando é Paulo Salim Maluf, carteira de identidade 1.227.618, quero dizer que a carta é falsa, a letra não é minha - declarou.
Nesta terça-feira, Maluf, pré-candidato à prefeitura de São Paulo, permaneceu calado durante o depoimento aos ministérios públicos estadual e federal. Ele responde a dois inquéritos: um apura enriquecimento ilícito e o outro, envio ilegal de dinheiro para o exterior. Mas promotores e procuradores têm em mãos um documento que pode tornar a situação de Maluf ainda mais complicada.
De acordo com os peritos que fazem a análise dos documentos bancários, a família Maluf movimentou pelo menos US$ 300 milhões em sete anos. De Zurique para Londres, saíram mais de US$ 100 milhões. Outros US$ 200 milhões permanecem bloqueados em Jersey. E, segundo as investigações, ainda há cerca de US$ 5 milhões que uma das filhas e um genro de Maluf estão impedidos de movimentar na Suíça.