Anunciado oficialmente nesta terça-feira no Palácio do Planalto, o pacote de incentivo à compra e construção de imóveis faz parte de um conjunto de ações sugeridas ao presidente Lula por estrategistas na área de comunicação. As iniciativas integram um plano para sustentar a imagem com que o presidente se apresentará ao eleitorado para pedir mais quatro anos de mandato. Na avaliação dos conselheiros de Lula, a campanha eleitoral não será pautada fundamentalmente pela comparação entre os números e realizações deste governo com os da administração anterior. O que deverá estar em primeiro plano, segundo os analistas consultados, é a comparação entre o Lula mítico e o Lula real.
Portanto, eles consideram fundamental que as ações e o discurso sejam voltados para reaproximar a imagem real da imagem mítica do presidente. Ou seja, reforçar os símbolos que remetem aos compromissos de solidariedade do governo dele com a parcela mais carente do povo brasileiro - que, no fim das contas, sempre decide as eleições, pois a renda familiar de 53% dos eleitores não passa de R$ 700,00 por mês.
Tijolo e cimento mais baratos são música para os ouvidos de quem sonha com uma moradia melhor. Especialmente em um país onde seis milhões de famílias vivem em habitações precárias.
As grandes oscilações nos níveis de aprovação e desaprovação do governo, apuradas pelas pesquisas realizadas no fim do ano passado e nas últimas semanas, revelariam uma desorientação da base da pirâmide eleitoral, segundo especialistas na análise de levantamentos de opinião pública. Para eles, essa faixa do eleitorado é mais suscetível à propaganda, tanto a negativa quanto a positiva.
Nas pesquisas realizadas em dezembro, a campanha oposicionista contra o governo teria influenciado na queda de popularidade do presidente. Os levantamentos atuais já estariam contaminados com a ofensiva de propaganda positiva desencadeada pelo governo. Esse pêndulo faz os analistas acreditarem que a eleição deste ano será decidida na estratégia de comunicação da campanha eleitoral.
A questão que ainda está aberta para os analistas é o comportamento do eleitorado considerado formador de opinião. No topo da pirâmide, o segmento cuja renda familiar supera os R$ 3.500,00 por mês, a antipatia pelo governo Lula continua crescente. Perto de 70% da parcela mais rica do eleitorado desaprova a administração petista e mais de 60% acredita que algum candidato tucano irá vencer a eleição para presidente.
Alguns analistas acreditam que Lula não será reeleito se não reconquistar a confiança de, ao menos, parte desse segmento, que representa apenas 5% do eleitorado, mas tem poder de convencimento e influência sobre as demais camadas. Mas eles reconhecem que a facilidade com que o presidente se comunica diretamente com o povo mais pobre é um fator que pode superar a oposição do topo da pirâmide, que está optando pelo PSDB.
Para isso, o presidente Lula terá de convencer a base do eleitorado de que perdeu o medo de enfrentar as elites do país e realizará um segundo mandato mais próximo dos ideais identificados com o combate à desigualdade.