Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Em busca da terra prometida

Sexta, 24 de Junho de 2011 às 17:24, por: CdB

Um dos fenômenos que mais caracterizam estecomeço de século tem sido o aumento considerável da onda de migrantes quepercorrem o mundo inteiro. São milhões de pessoas que fogem de guerras econflitos sangrentos que assolam o Oriente Médio, a África e mesmo a AméricaLatina. Muitos são vítimas de outro tipo de guerra: o flagelo da injustiçasocial e da pobreza, nos últimos anos, agravada no mundo inteiro. Além disso, temcrescido o número de "refugiados ambientais”, pessoas que perdem casas e benspor causa de inundações, terremotos e outras tragédias ambientais.

Como a maioria é clandestina, não seconsegue saber o número exato dos migrantes no mundo. A ONU calcula que sejammais de 600 milhões. Só na América Latina, 26 milhões de pessoas vivem fora deseus países de origem. O Brasil abriga oficialmente 850 mil estrangeiros. Narealidade, o número é bem maior. No entanto, nosso país que se via como terra dechegada, viu multiplicar-se, nestes anos, o número de brasileiros que partempara tentar a vida em outros países. "Migrantes e refugiados não escolhem lugarde moradia. Vão para onde conseguem ficar”, afirma Luiz Fernando Godinho,encarregado do organismo das Nações Unidas para os refugiados (Acnur).

Brasileiro tem fama de ser acolhedor e opaís tem uma das legislações mais abertas com relação a migrantes e refugiados.Em 2009, o Ministério da Justiça decretou uma anistia aos migrantesclandestinos no país. A partir daí foram registrados legalmente 41.816estrangeiros. Entretanto, para conseguir a permissão de permanência no Brasil, umestrangeiro tem de apresentar documentos que comprovem emprego legal comcarteira assinada, ou propriedade de bens suficientes à manutenção pessoal e dafamília. Como vão conseguir isso os milhares de migrantes que vendem coisas nasruas das grandes cidades ou os bolivianos que trabalham em indústrias de tecidonos barracões de São Paulo?

Infelizmente, as pesquisas não confirmam obom acolhimento dos brasileiros. Africanos refugiados no Brasil afirmam sofrer discriminaçãoracial. Latino-americanos de países vizinhos só conseguem trabalhos comoestrangeiros clandestinos. Jovens declaram ser pressionadas à prostituição, oua serviços degradantes.

Desde 1979, a Conferência Nacional dosBispos do Brasil (CNBB) decidiu celebrar o "Dia dos Migrantes” no dia 25 dejunho ou no domingo mais próximo a este dia. A cada ano, o Serviço de Pastoraldos Migrantes propõe um tema de debate e aprofundamento. Neste ano, em ligaçãocom a Campanha da Fraternidade, o tema proposto é "Migração e Meio-ambiente”, oque, no Brasil, nos recorda as milhares de pessoas que perderam casas e benscom as recentes inundações no Sul, no Norte, no Nordeste e agora em Roraima.Além disso, recordamos as aldeias indígenas deslocadas e inúmeras pessoastransferidas de seu lugar de origem pela hidroelétrica de Belo Monte, no Pará.

Em 1948, na Declaração Universal dosDireitos Humanos, as Nações Unidas já consideravam direito de qualquer pessoamigrar de um país a outro. É importante que superemos os nacionalismosestreitos e consideremos a terra inteira como pátria de toda a humanidade. Dooutro lado, a imensa maioria dos migrantes se sente forçada a migrar. Issosignifica que se organizarmos um mundo de paz e justiça para todos, ninguémprecisará deixar sua terra natal para viver melhor em outro local.

As festas juninas que, nestes dias, tomamconta de boa parte do Brasil, ao satirizar casamentos na roça e, nasquadrilhas, brincar com os bailes na corte, revelam uma dimensão crítica. Quepossam ser instrumento de união da sociedade civil para tomar posição pela justiçae pelo direito de todos.

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