Presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um ato político em São Paulo, que terminou na madrugada desta quarta-feira e reuniu um grupo eclético de políticos como Delfim Netto, Agnaldo Timóteo, o cantor de forró Frank Aguiar, recém-eleito deputado pelo PTB, a candidata a presidente derrotada Ana Maria Rangel e até o prefeito de Araçariguama (SP), do PFL. Todos tiveram direito a discurso e citação na fala de Lula.
Delfim, candidato derrotado a deputado pelo PMDB após exercer mandatos consecutivos desde 1987 até agora pelo PDS e PP, disse que estava ali para "resistir à volta da política que destruiu este país", citando as crises econômicas de 1998 e 2002, durante o governo tucano do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O ex-ministro da Fazenda (1967-1974) dos governos militares recebeu vaias e aplausos da platéia e um elogio de Lula -- "um dos maiores economistas do país e um dos homens mais fortes da República."
O presidente afirmou ainda que Delfim não se elegeu neste ano porque "foi considerado traidor da sua classe, da elite política... por vingança, porque ele defendia nosso governo e nossa política". Ainda assim, o presidente lembrou que divergiu da política econômica conduzida pelo ex-ministro, mas reconheceu que, apesar da ditadura, havia crescimento econômico. O cantor Agnaldo Timóteo, vereador pelo PL paulistano, entoou discurso semelhante aos demais ao declarar no palanque que "essa elite preconceituosa e raivosa está brava com o senhor (Lula) não é por causa de denúncia é porque o senhor não fracassou."
Coube ao prefeito pefelista Carlos Aimar, da pequena Araçariguama (48km de São Paulo), fazer ataques ao governo do PSDB em São Paulo. Disse que enquanto os tucanos privilegiam "uma panela", ele foi recebido por ministros do governo Lula sem que lhe perguntassem a que partido pertencia.
Recém-saída da campanha presidencial, Ana Maria Rangel (PRP) disse que nunca tinha falado para tanta gente. Havia 4 mil pessoas no ato, segundo os organizadores.
Disputa na internet
No boletim de campanha do candidato petista, Lula afirma que há "dois projetos em disputa".
"Antes mesmo do primeiro turno, vários analistas políticos diziam que a eleição estava mostrando um país dividido. Para alguns, a divisão seria entre pobres e ricos. Para outros, seria entre Norte-Nordeste e Sul-Sudeste. Alguns analistas mais reacionários chegaram ao desplante de dizer que a divisão era entre "primitivos e não educados" (supostamente, os eleitores de Lula) e "modernos e educados" (supostamente, os eleitores de Alckmin)", diz o texto.
"Estas análises, quando não estão totalmente equivocadas, perdem de vista o essencial. Não foi a eleição que dividiu o país. A eleição apenas mostrou que existe uma divisão em nosso país. Mas esta divisão não é apenas entre "pobres e ricos". Embora a votação de Lula cresça, quando menor a renda do eleitor, há muitos pobres que votam em Alckmin. Embora a votação de Alckmin cresça, quando maior a renda do eleitor, grande parte dos setores médios vota em Lula. Tampouco esta divisão é apenas regional", continuou o boletim.
- De um lado, a esquerda e os progressistas. De outro lado, a direita e os reacionários - diz o presidente, no texto.
Já o adversário do petista, Geraldo Alckmin, também parte para o ataque.
"O candidato do PT, Lula, mostra mais um vez que não é amigo da liberdade de expressão. Seu último ato de autoritarismo agora está refletido no pedido que sua coligação acaba de fazer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É solicitada a retirada dos outdoors com a propaganda da revista Veja desta semana, em que Geraldo aparece na capa", reclama o tucano.
"Mesmo tendo consciência de que não é proibida a veiculação de reportagens sobre candidatos a cargos públicos em período eleitoral, a coligação de Lula quer censurar a imprensa brasileira. Os representantes petistas, segundo