Fabrício Cortinove Pelachine,
Especial para o site da FPF
Na busca do sucesso na continuidade da temporada, a Inter de Limeira aposta em um dos nomes mais promissores do futebol paulista para retomar as grandes glórias. Por este objetivo, o clube conta com Euzébio Gonçalves, batizado com este nome em homenagem ao craque moçambicano naturalizado português, ou simplesmente Lelo, apelido ganho ainda na infância, que nos últimos anos acumulou campanhas vitoriosas e acessos pelos clubes que passou.
Sem nunca ter sido jogador profissional, o paulista proveniente de São Bernardo do Campo iniciou a carreira como treinador nas categorias de base da Portuguesa Santista para trabalhar em seguida nos juniores do Santos e Corinthians. Na passagem pelo Parque São Jorge pôde acompanhar os métodos utilizados por Carlos Alberto Parreira, uma de suas principais inspirações na profissão.
Durante estes trabalhos ajudou no desenvolvimento de alguns nomes que se destacam no mundo da bola. Pelo Santos dirigiu Sérgio Manoel, Camanducaia, Marcos Basílio, enquanto no alvinegro da capital comandou Ewerthon, Michael, ex-Palmeiras, Coelho, Fininho, Rosinei, Julio Cesar, Elton e Bobô.
Mas, foi no ano de 2005, que Lelo coloca como o divisor de águas em sua carreira, pois foi naquela temporada que se consolidou na profissão com o acesso para a Série A3 do Campeonato Paulista com a Santacruzense. Depois desta campanha repetiu a façanha no Linense, Penapolense, São Bernardo para a Série A2 em 2008, e novamente na equipe de Santa Cruz do Rio Pardo em 2010.
Em 2011, o treinador iniciou os trabalhos na agremiação de Limeira e apesar de não conseguir classificar o time para a segunda fase da Série A3 do Campeonato Paulista, bateu recordes de invencibilidade à frente da equipe. Superou os oito jogos de Sérgio Clérice e Waldir Peres e empatou com Pepe, somando um total de nove partidas invictas.
FPF: Você trabalhou na base do Corinthians e Santos. O quê significou esta experiência para a sua carreira?
Lelo: Isso me deu base, pois foi o que me deu condição de ser treinador trabalhando vários anos no Santos e em seguida duas vezes no Corinthians. Por serem clubes de tradição os seus juniores funcionam como uma equipe profissional. No Corinthians trabalhei com o Andrés Sanchez, que foi meu diretor e um ótimo profissional e com o Parreira. Sou muito grato ao Corinthians.
FPF: O que significou este encontro com o Parreira para você no Corinthians?
Lelo: Foi uma satisfação acompanhar de perto este trabalho de um profissional renomado que abriu as portas para ficarmos a vontade no clube e acompanhar o seu trabalho, além deste período coincidir com a boa fase do time profissional. Naquele instante conseguimos ver o resultado do seu trabalho e acompanhar este treinador, um exemplo em todos os sentidos.
FPF: Quais são os técnicos em que você se inspira para seguir no futebol?
Lelo: O Parreira, que já havia sido campeão do mundo em 1994, pelo seu jeito de ser e que abriu muitas portas para as categorias de base. Aprecio muito o seu trabalho com a parte tática junto com a humildade e a maneira educada de se conduzir não falando palavrões, e por conta disso fiz dele o meu exemplo a seguir. Mas, não podemos esquecer outros nomes que se destacam como o Felipão, Muricy, Luxemburgo e o José Mourinho.
FPF: Revelando tantos talentos para o futebol, como você se sente vendo estes nomes se destacando?
Lelo: Temos o sentimento de missão cumprida. Senti a mesma coisa na Inter com a viagem que fizemos para a Espanha quando tivemos alguns jogadores ficando por lá como o Léo e o Junior no Racing Santander B e o Lucas Lima no time principal do Racing. Isso tudo é fruto de muita luta e ajudando o jogador a evoluir ficamos muito felizes, pois é a plena certeza que fizemos o trabalho certo.
FPF: Qual foi o principal momento da sua carreira?
Lelo: Todo acesso é importante, principalmente para o interior, pois não representamos apenas um clube e sim uma cidade. Mas, o que mais marcou talvez tenha sido o do São Bernardo que era para a Série A2, um trabalho honesto comandado pelo Edinho Montemor. No Penapolense ninguém acreditava, pois tivemos quatro derrotas consecutivas na primeira fase e fomos ganhando confiança com um grupo muito religioso. Já em Santa Cruz do Rio Pardo tudo é mais difícil e temos que agradecer a diretoria por aquele trabalho. Cada acesso é maravilhoso
FPF: Como você vê o seu futuro como técnico?
Lelo: Hoje sou grato ao futebol, pois a grande conquista, sem falar de títulos, foi a de não ficar desempregado e no final da temporada tendo sempre uma equipe querendo que você fique no clube e isso me deixa satisfeito e grato. Agora meu objetivo é me atualizar para não estacionar e se um dia tiver a oportunidade de dirigir um time da Série A1, vou aproveitar a chance me preparando para isso. Tenho esse sonho de permanecer na primeira divisão e estou procurando maturidade por este objetivo.