Em um movimento orquestrado, o ministro da Previdência, Romero Jucá (PMDB), negou as acusações de irregularidades em Roraima, recebeu respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi defendido por colegas peemedebistas nesta terça-feira.
Notícias veiculadas desde a semana passada dão conta que Jucá tomou um empréstimo em nome da empresa Frangonorte, da qual foi sócio entre 1994 e 1996, e teria oferecido como garantia ao Banco da Amazônia (Basa) sete propriedades rurais inexistentes no Amazonas. O dinheiro do empréstimo têm origem em um fundo de recursos públicos.
Nessa época, Jucá era sócio da empresa ao lado de Getúlio Cruz, ex-governador de Roraima. A Frangonorte foi vendida no final de 1996 a Luiz Carlos Fernandes de Oliveira.
"As fazendas estavam no nome do Luiz Carlos, foi solicitada a avaliação ao Basa. O Basa fez a avaliação das fazendas, é estranho dizer agora que não existem. O Basa as aceitou como garantia e liberou o dinheiro para o Luiz Carlos. O que eu tenho a ver com isso?", questionou o ministro da Previdência em entrevista coletiva convocada por ele para explicar o caso.
"O bandido da história não sou eu, disso eu sei. Agora, se é o Basa ou é o Luiz Carlos. É uma questão que tem de ser resolvida entre eles", afirmou Jucá, sem apresentar cópias de documentos.
O ministro admite que não há acordo formal feito com o Banco da Amazônia, apenas um entendimento sobre a transferência do passivo da Frangonorte para Luiz Carlos Fernandes de Oliveira. Apesar disso, ele tem um processo na Justiça de Roraima contra o Basa por quebra do "acordo" feito quando a empresa foi vendida em 1996 de que retiraria seu nome como devedor do banco assim que fosse finalizado o negócio.
Na época em que eram sócios, Jucá e Cruz pediram um empréstimo de 4,6 milhões de reais, a ser liberado em parcelas de 750 mil reais. A liberação de uma delas teria sido feita com a apresentação das tais sete fazendas como garantia.
Jucá também é suspeito de usar os recursos do Basa para pagar outros empréstimos bancários em seu nome. O Ministério Público de Roraima, segundo notícias da imprensa, investiga se o dinheiro teria sido desviado de seu foco original aprovado pelo Basa.
O ministro esteve nesta terça-feira com o núcleo duro do governo: Lula, o vice-presidente José Alencar e os ministros Antonio Palocci (Fazenda), José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e Aldo Rebelo (Coordenação Política) e recebeu apoio à sua gestão.
"O presidente disse ter confiança em mim e pediu para eu mergulhar no meu trabalho", afirmou Jucá. Logo depois do encontro, o ministro anunciou medidas para combater a sonegação da Previdência e melhorar o atendimento do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), com o objetivo de reduzir filas.
Para tentar fugir do foco das denúncias, Jucá voltou a prometer reduzir o déficit da Previdência em seis bilhões de reais este ano e apresentar um modelo de renovação do Dataprev assim que Lula voltar de seu giro pela África.
A análise das acusações está sendo feita pelo procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que deu ao ministro 20 dias para a apresentação da resposta.
Além de Lula, Jucá recebeu apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do líder do partido, senador Ney Suassuna (PB), que reiteram confiança no ministro e disseram que a legenda dará todo respaldo necessário.
Renan negou que tenha declarado apoio a pedido de Lula, mas disse que as explicações de Jucá são muito convincentes e Suassuna afirmou que o ministro está sendo injustiçado.
"Isso é uma campanha, ele respondeu a tudo e continuará contando com apoio e respaldo do PMDB. Fica difícil saber quem está por trás disso, mas é quem teme a gestão de Jucá no Ministério da Previdência", afirmou o presidente do Senado.
Renan também negou que Jucá tenha sido indicado por ele à pasta e enfatizou que foi uma escolha do partido, apesar do presidente peemedebista, deputado Michel Temer (