Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

ELN solicita igreja para abrir diálogo de paz como o governo

Quinta, 05 de Fevereiro de 2004 às 00:34, por: CdB

A guerrilha colombiana do Exército de Libertação Nacional (ELN) solicitou a mediação da Igreja católica para promover um diálogo de paz com o governo, suspenso desde 2003. O ELN pediu o apoio da Igreja em uma carta enviada aos bispos colombianos, que esta semana participam da assembléia anual da Conferência Episcopal.

- É necessário voltar a colocar no cenário nacional as propostas para um diálogo nacional de ampla participação que possa buscar uma saída à crise do país - afirmou o ELN, que participou de diálogos de paz em Cuba com delegados do governo do presidente Álvaro Uribe.

As conversações foram suspensas porque o ELN não aceitou a 'política de repressão das guerrilhas' promovida pelo Executivo.

O grupo guerrilheiro disse também que 'optou pela solução política do conflito como via para conseguir a paz'. Os rebeldes criticaram o processo de paz entre o governo e o grupo paramilitar de direita Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que ocorre desde dezembro de 2002.

- A paz só pode se construir sob as bases da verdade, da justiça e da reparação dos danos causados às vítimas - disse o ELN.

O cardeal Pedro Rubiano, arcebispo de Bogotá e presidente da Conferência Episcopal, declarou que a declaração do ELN 'é um passo à frente em todo este processo', mas que deve 'ser acompanhado agora de propostas específicas de paz'.

- Eles destacam em seu comunicado algo que é muito significativo, afirmando que diante da tragédia e das guerras é preciso buscar soluções e não simplesmente falar, mas apresentar alternativas para conseguir a paz - disse o prelado.

Durante as deliberações da assembléia anual, delegados do Episcopado apoiaram o processo de paz com os paramilitares, que passou por uma polêmica verificação em 23 de janeiro pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

No entanto, afirmaram que não estão de acordo com o 'perdão e esquecimento' dos crimes atribuídos aos paramilitares que são acusados de múltiplos massacres de camponesas e mortes seletivas de sindicalistas e ativistas dos direitos humanos.

O ELN, fundado em 1965 e com cerca de 5 mil integrantes sob o comando de Nicolás Rodríguez, conhecido como 'Gabino', é a segunda guerrilha do país em tamanho depois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A maior ação militar do ELN nos últimos meses foi o seqüestro de sete turistas estrangeiros em setembro de 2003. Os excursionistas seqüestrados em Sierra Nevada de Santa Marta, no norte do país, foram libertados em novembro e dezembro depois da mediação da Igreja.

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