O Exército de Libertação Nacional (ELN), segunda força guerrilheira da Colômbia, libertou nove pessoas que mantinha como reféns em uma zona montanhosa do sudoeste do país, perto do Equador, informou nesta segunda-feira o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. A liberação dos reféns, na tarde deste domingo, incluindo sete motoristas do transporte público, ocorreu em uma região rural do município de Samaniego, no Departamento de Nariño, onde foram entregues a uma comissão da Cruz Vermelha.
- Foram liberadas as pessoas que estavam retidas há 14 dias - disse a jornalistas a prefeita de Samaniego, Yamile Montenegro. Segundo ela, todos se encontram em boas condições de saúde.
O ELN é uma organização guerrilheira, de inspiração comunista e de caráter político-militar, criado em Simacota em 7 de janeiro de 1965, por Fabio Vasquez Castano, inspirado pela experiência bem sucedida da Revolução Cubana. É o segundo maior grupo rebelde da Colômbia (após as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, (FARC).
"A guerra mediática que se levanta, contra a oposição política, armada ou não, ultrapassa os limites da ética e da responsabilidade com o pa´si. Ela se apóia na manipulação da verdade até convertê-la em mentira, com o perverso fim de legitimar e destruir a quem tenha outra visão e proposta de nação", diz o comunicado do ELN.
Numa sociedade como a colombiana onde as desigualdades sociais se fazem sentir de forma gritante, este movimento atraiu desde o seu início vários padres católicos, inspirados pela Teologia da Libertação. Em 1966, a morte em combate de um destes religiosos, o padre guerrilheiro Camilo Torres, adquire um elevado valor simbólico. Uma parte significativa dos rendimentos do ELN advêm do "imposto de guerra", a que sujeita as companhias petrolíferas, e dos sequestros a troco de resgate, "descobertos" no início dos anos de 1970. O ELN ainda é responsável pela maioria dos seqüestros na Colômbia.
Contrariamente às FARC, o ELN não se dedica ao negócio da droga, ao qual o líder histórico Manuel Perez, um padre espanhol que chefiou o movimento durante cerca duas décadas (até 1998) sempre se opôs. Não detendo uma máquina militar que se compare à das FARC e não tendo hipótese no confronto direto com as forças do Governo, o ELN dedica-se principalmente à sabotagem de infra-estruturas, nomeadamente da indústria petrolífera e da rede elétrica.
O ELN teve o seu apogeu durante a segunda metade da década de 1990, altura em que contou com cerca de trinta e cinco mil guerrilheiros. Hoje, tem nas suas fileiras perto de 20 mil homens, que dividem o seu trabalho entre a atividade militar e ações de carácter social. O Exército de Libertação Nacional, hoje liderado por Nicolás Rodríguez Bautista (Gabino), tem sido afetado pela ação dos paramilitares de extrema-direita que surgiram nos anos de 1980.