O diretor de cinema norte-americano Cameron Crowe levou uma fatia de Americana a Veneza neste domingo com seu filme <i>Elizabethtown</i>, uma história de esperança recobrada depois da morte e do fracasso.
- Gostei da idéia de começar o nosso filme com a morte, onde a maioria dos filmes termina - disse Crowe durante uma coletiva de imprensa, referindo-se à morte do pai do personagem principal, estrelado pelo galã Orlando Bloom, de <i>O senhor dos anéis</i>, no início do filme.
- A questão é para onde vamos deste ponto? A resposta é - vida.
Crowe ganhou um Oscar em 2000 por seu filme <i>Quase famosos</i>, baseado nos tempos em que era um jovem repórter da revista <i>Rolling Stone</i>.
Para <i>Elizabethtown</i>, Crowe disse ter se baseado na própria experiência da morte inesperada do pai.
Ele diz ter sido inspirado por uma mistura de risos e lágrimas que seus pais chamavam de "pão e chocolate", uma referência à comédia italiana de 1973 <i>Pão e chocolate</i> sobre um trabalhador siciliano em busca de uma vida melhor - e suas derrotas - ao tentar integrar-se com os vizinhos na Suíça.
<i>Elizabethtown</i>, cujos produtores incluem Tom Cruise, conta a história de um designer de sapatos fracassado de Oregon que está pensando em suicídio quando sua irmã anuncia a morte inesperada do pai durante uma visita a parentes no Kentucky.
Em vez de esfaquear a si próprio sobre uma bicicleta ergométrica como pretendia, o designer vai lidar com o corpo. Acaba encantado por uma alegre aeromoça e seus parentes excêntricos de Kentucky, que o fazem renascer para as alegrias da vida.
- Queria fazer um comentário sobre a obsessão pelo sucesso e o fracasso que vemos muito nos Estados Unidos - disse Crowe.
- O personagem de Orlando, no início do filme, está definindo o sucesso e o fracasso. Mas então a vida aparece e muda aquilo.
Bloom, que fez seu início cinematográfico com o filme <i>O Senhor dos Anéis: a Irmandade do Anel</i>, o primeiro da trilogia, e Kirsten Dunst têm o apoio de um elenco de peso, que inclui Alec Baldwin, como o patrão filosófico e mau, e Susan Sarandon, como a mãe de Bloom, dançarina de sapateado.
Para o britânico Bloom, é o primeiro papel em que precisou camuflar seu sotaque.
A rica trilha sonora de <i>Elizabethtown</i>, que vai do blues para a canção de Tom Petty <i>It'll all work out</i> é fundamental para o otimismo de Americana, no qual o personagem principal mergulha.
- A música é uma inspiração muito grande para mim. Adoro quando ela completa uma história, junto com as palavras e a imagem - diz Crowe, cuja esposa, Nancy Wilson, da banca de rock Heart, escreveu o roteiro.