O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou nesta quinta-feira que a elevação da taxa básica de juros (Selic) para 10,25% ao ano não deve ter efeito sobre a balança comercial brasileira.
– Pelo contrário, se você imaginar que a taxa de juros foi aumentada para reduzir a atividade econômica interna e o consumo, teoricamente, você teria mais sobras de produtos para serem exportados – afirmou.
Miguel Jorge destacou que uma boa política de exportações é algo que se estabelece ao longo do tempo, com muito planejamento.
– Não somos mais um país que, ao aumentar o consumo interno, reduz as exportações e, ao reduzir o consumo interno, aumenta as exportações – disse.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou, na véspera, a taxa básica de juros para 10,25% ao ano, em linha com as expectativas do mercado financeiro, que projeta novos ajustes da taxa neste ano, até o limite de 11,75%, como forma de conter as pressões inflacionárias.
Milho
Miguel Jorge também afirmou que o aumento da produção de milho nos Estados Unidos vai prejudicar as exportações brasileiras ao país, sobretudo de etanol.
– Já houve consultorias em empresas e os produtores de etanol estão preocupados com o preço do milho nos Estados Unidos – disse.
Segundo Miguel Jorge, a “sobra” do etanol brasileiro precisará ser consumida por outro país ou pelo próprio mercado interno – o que pode ter um efeito positivo para o consumidor.
– Embora tenha um efeito negativo para o produtor, que terá menor pagamento pelo seu produto – concluiu.