Em entrevista exclusiva para o Caderno de Energia e Meio Ambiente do Correio do Brasil, o presidente da Eletrosul, José Drumond Saraiva, anunciou investimentos na ordem de R$ 343 milhões para a ampliação, melhoria e modernização do sistema de transmissão de energia nos Estados da Rregião Sul. Segundo Drumond Saraiva, a busca pela eficiência é meta permanente no sistema, "jogando por terra argumentos simplistas que tentaram, por duas décadas, desqualificar as empresas estatais" do setor energético.
- A questão da seca a sudoeste do Rio Grande do Sul tende a prejudicar as metas de produção da Eletrosul?
- Não. Embora a Eletrosul ainda não tenha retomado as atividades de geração, o sistema de transmissão da empresa continua sendo capaz de viabilizar em quantidade e qualidade o intercâmbio de energia a nível regional e nacional.
- Como o senhor avalia o processo de privatização das companhias elétricas ao longo da última década?
- Felizmente as empresas do Grupo Eletrobrás foram excluídas do Programa Nacional de Desestatização neste governo e vêm investindo fortemente na geração e na transmissão de energia. Os resultados alcançados pela Eletrosul e pelo Grupo Eletrobrás nos últimos três anos mostram que empresas estatais podem e devem ser rentáveis e eficientes, jogando por terra argumentos simplistas que tentaram por duas décadas desqualificar as empresas estatais de geração, transmissão e distribuição de energia.
- Qual é a situação hoje da eletrificação rural?
- A Eletrosul coordena, em seus quatro Estados de atuação (RS, SC, PR e MS), o Programa Luz para Todos, o maior esforço de eletrificação rural já promovido no Brasil. Através dele, unindo forças com as concessionárias e governos estaduais, o Governo Federal já levou energia elétrica a milhões de pessoas em todo o país. Nos quatro estados já foram atendidas 57.513 pessoas, sendo 13.851 em Santa Catarina, 14.493 no Paraná, 17.721 no Rio Grande do Sul e 11.448 no Mato Grosso do Sul. Mais do que energia elétrica, o Luz para Todos está levando cidadania e melhoria na qualidade de vida para quem vive nas áreas rurais, já que agrega ações complementares voltadas para a geração de emprego e renda nas regiões beneficiadas pelo programa.
- Quais são as suas metas até dezembro deste ano para a Eletrosul para o interior da Região Sul?
- A Eletrosul está investindo este ano R$ 343 milhões na ampliação, melhoria e modernização de seu sistema de transmissão. São obras como duas subestações na Serra Gaúcha, inauguradas recentemente, e o reforço eletroenergético ao litoral e Ilha de Santa Catarina, em que uma parte da ligação será feita através de cabos submarinos. Linhas de transmissão estão sendo recapacitadas no PR e duas grandes subestações estão passando por ampliações no MS (Dourados e Anastácio). As parcerias estabelecidas para participação em leilões também está resultando em obras importantes. É o caso das linhas Ivaiporã /Londrina, Blumenau /Campos Novos e Campos Novos/Nova Santa Rita, cujos investimentos somam R$ 890 milhões.
- E a geração de energia?
- Sim. Há ainda as obras em geração de energia, que se iniciam neste ano e marcam o retorno da Eletrosul a esse segmento, quase dez anos após a privatização de seu parque gerador. A empresa vai construir quatro pequenas centrais hidrelétricas em SC e uma usina, a de Passo São João, no RS. Seja em transmissão ou em geração, a Eletrosul segue realizando importantes empreendimentos para fortalecer ainda mais sua área de atuação e o setor elétrico brasileiro.