Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2026

Eletropaulo quer reduzir ligações clandestinas e ampliar receita

Quinta, 08 de Setembro de 2005 às 14:20, por: CdB

A Eletropaulo quer regularizar até o final do próximo ano 120 mil, ou 25% das ligações clandestinas de energia elétrica na sua área de concessão. Isso poderá representar receita adicional de cerca de R$ 100 milhões para a distribuidora a partir de 2007.

- É um programa de natureza social sim, mas também de natureza empresarial - afirmou a jornalistas nesta quinta-feira o presidente da empresa, controlada pela norte-americana AES, Eduardo Bernini.

A distribuidora de energia alega que deixa de faturar cerca de R$ 500 milhões por ano por conta de ligações clandestinas de energia, ou cerca de seis por cento de sua receita, valor que refere-se à tarifa cheia - e não à reduzida que normalmente é cobrada dos mais carentes - e não considera a incidência de alguns impostos.

Ao todo, são 477 mil ligações clandestinas de energia na área de atuação da companhia (24 municípios na região metropolitana de São Paulo), consumindo 1.780 gigawatts-hora, quantidade de energia suficiente para atender as cidades vizinhas da capital de São Bernardo, São Caetano, Santo André e Diadema.

Já foram realizadas 15 mil regularizações nos primeiros oito meses do ano, parte delas no Jardim Pantanal, zona Leste da capital paulista, em caráter de teste. O plano é acertar outros 45 mil pontos de setembro a março de 2006 com investimento de R$ 18 milhões de reais. Depois, nos três últimos trimestres do ano que vem, serão outras 60 mil ligações ao custo de R$ 32 milhões de reais. O dinheiro será usado para instalação da rede física, colocação de caixas de medição de luz nas residências, fornecimento de condutores, tomadas e interruptores, entre outros.

Do aporte de recursos, um terço virá do Programa de Eficiência Energética, resolução da Aneel (órgão regulador do setor elétrico) que determina a destinação de 0,5% da receita líquida das concessionárias para a melhora da rede e dos serviços prestados. O restante do capital virá do plano de investimentos da Eletropaulo, informou Bernini.

O programa será aplicado apenas em áreas onde não há conflito de titularidade de terras e, a partir de setembro, começam os trabalhos na favela de Heliópolis. O consumo médio atual nos núcleos clandestinos da área de concessão da Eletropaulo é de 326 kilowatts-hora (kWh) por mês e o programa prevê a educação da população para uso racional da energia. Por um período de três meses, os novos clientes da Eletropaulo terão teto de consumo de 150 kWh para efeito de faturamento.

Pela tarifa regular, cada conta de 150 kWh custaria quase R$ 53, mas com a inclusão desses consumidores em programas sociais eles passam a pagar cerca de R$ 34  mensalmente.

- A inadimplência (nos 15 mil pontos já regularizados) não está diferente da média da Eletropaulo, que é de 12% incluindo o poder público (...) É como se fosse um mercado a mais - comentou Bernini.

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