Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2026

Eleitor rejeita restrições a suicídio acompanhado

Segunda, 16 de Maio de 2011 às 02:10, por: CdB

Maioria dos eleitores no cantão de Zurique refuta nas urnas propostas de lei que restringiriam a prática do suicídio acompanhado.

Segundo a imprensa helvética, o resultado mostra que a maioria do povo aprova a política "liberal" em relação à eutanásia.

A iniciativa popular "Não ao turismo da morte no cantão de Zurique", votada no último domingo juntamente com vários outros plebiscitos locais, foi refutada nas urnas por 218.602 eleitores, o que corresponde a 78,4% do eleitorado.
 
Nessa proposta, os autores pediam a proibição completa da prática do suicídio acompanhado para as pessoas que não vivem há pelo menos um ano no cantão de Zurique. Se aprovada, muitos estrangeiros e suíços residentes em outros cantões, e que costumam procurar os serviços de organizações como Exit ou Dignitas, estariam impedidos de vir ao cantão para tirar suas vidas através de coquetéis químicos especialmente preparados.
 
A rejeição da segunda iniciativa, intitulada "Pare com a ajuda ao suicídio" foi ainda maior nas urnas: 234.956 eleitores riscaram "não" na cédula, o que correspondeu a 84,4% do eleitorado. Ela exigia a intervenção do cantão no Parlamento federal em prol de uma proibição total do suicídio acompanhado em todo o país.
 
As duas iniciativas foram autoria dos partidos EDU (em português, União Democrática Federal) e EVP (Partido Evangélico Popular).

Repercussão na imprensa 

O resultado dos plebiscitos em Zurique teve repercussão na imprensa nacional e internacional. No diário germanófono NZZ, o articulista avalia que o eleitorado "deu um sinal claro para a manutenção da prática liberal de lidar com o suicídio assistido" e considera que "os meios das igrejas livres, fracassaram claramente na sua proposta".
 
O NZZ lembra que, há 34 anos, os eleitores do cantão de Zurique já haviam aprovado uma iniciativa que permitia a ajuda ativa ao suicídio para pessoas gravemente enfermas.
 
Para o articulista, não estava claro que o cantão enviaria esse sinal ao governo federal. "Pois a ajuda organizada ao suicídio se transformou nos últimos anos em um constante tema polêmico. A razão está na organização Dignitas, que fornece ajuda ao suicídio para pessoas, cujos países proíbem esse tipo de prática".
 
A análise do conceituado jornal zuriquense é que "o veredito popular espelha o reconhecimento amplo do direito de autodeterminação do indivíduo e, nesse meio tempo, a opinião já reconhecida pelos meios esclarecidos da igreja, que a ajuda ao suicídio está de acordo com um ponto de vista cristão."
 
A BBC Brasil também publicou uma nota sobre os resultados do voto cantonal, ressaltando também que o debate não termina no plebiscito de 15/05. "As pesquisas indicam que os eleitores querem uma legislação nacional mais clara, estabelecendo os casos nos quais a prática é permitida - apenas para os doentes terminais ou também para aqueles com outras doenças crônicas ou até mesmo mentais. Também há um grande desejo de que o governo estabeleça regras sobre as organizações que oferecem o suicídio assistido", escreve. O portal afirma que o governo suíço deve propor uma nova lei sobre o tema nos próximos meses.

Reações 

Bernhard Sutter, vice-presidente da organização Exit, declarou à agência suíça de notícias SDA estar satisfeito com os resultados. "Isso mostra que os fundamentalistas religiosos não teriam sucesso. Foi bom ver que os cidadãos de Zurique fundamentalmente apoiam a ajuda ao suicídio."
 
Já no diário Tagesanzeiger, um dos autores da proposta não escondeu sua insatisfação. "Estamos decepcionados com o fato dos zuriquenses não terem apoiado os valores da Bíblia e a palavra de Deus", declarou Hans Peter Häring, do partido EDU. Porém ele considerou correta a tentativa. "Foi válido ter tematizado a problemática da ajuda ao suicídio".

Alexander Thoele, swissinfo.ch com agências

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