Um general aposentado, que foi acusado de abuso de direitos durante a "guerra suja" na Argentina, venceu a eleição para prefeito com uma diferença de 17 votos para o concorrente, filho de um homem que desapareceu no período que o militar governou. Antonio Bussi, que governou Tucuman, uma província pobre localizada no norte do país, durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983) e que foi protegido por leis de anistia, ganhou o posto de prefeito da capital San Miguel na segunda-feira após a contagem final da votação de 29 de junho. Bussi teve 80,188 votos contra os 80,171 de Gerônimo Vargas Aignasse, cujo pai, o político Guillermo Vargas, desapareceu em 1976 durante a repressão brutal da junta militar contra opositores esquerdistas. - Meu pai foi levado da minha casa na época em que Bussi era responsável pelas vidas de todos em Tucuman - lamentou Vargas Aignasse em uma rádio local. - Eu aceito a decisão embora doa e embora pareça inacreditável. Mas não podemos esperar reconstruir um país sério quando os culpados ficam impunes ou escapam do julgamento - acrescentou. A ditadura na Argentina torturou e matou mais de 30 mil oponentes, muitas vezes arremessando-os de aviões no Atlântico ou roubando seus filhos para dar para adoção para famílias de militares. A conquista de Bussi aconteceu alguns dias depois que o México extraditou um ex-oficial da Marinha argentina para enfrentar as acusações de genocídio e terrorismo na Espanha, aumentando as esperanças de que outros acusados de opressão sejam julgados.
Eleito prefeito na Argentina general acusado de opressão na ditadura
Segunda, 07 de Julho de 2003 às 18:55, por: CdB