Segundo turno será disputado por candidato governista e candidata conservadora. Resultado gerou protestos na capital do país
08/12/2010
Telesur
Em meio a protestos por fraude, o Conselho Eleitoral do Haiti anunciou nesta quarta-feira (08) que o candidato governista à presidência do país, Jude Célestine, e a candidata do partido conservador, Mirlande Manigat, irão para o segundo turno das eleições.
O órgão informou que Célestine, que obteve 22% dos votos, enfrentará Manigat, do Partido Democratas Nacionais Progressistas (RDNP), que teve a maior parte dos votos no primeiro turno, 31% do respaldo popular.
Em terceiro lugar ficou Michel Martelly, com pouco mais de 21% e somente 6 mil votos a menos que Célestine, seu adversário mais próximo.
Depois da divulgação dos resultados, centenas de jovens saíram às ruas do bairro Pétion-Ville, na capital Porto Príncipe, para exigir que sejam anuladas as eleições, nas quais 19 candidatos concorreram à presidência do país.
Os protestos provocaram incêndios em diferentes pontos comerciais da capital, e a polícia utilizou bombas de gás lacrimogêneo na tentativa de reprimir os manifestantes.
Um dos jovens encapuzados afirmou a alguns meios de comunicação internacionais que “o povo saiu para votar por Martelly, porque Manigat e Célestin não resolveram nada [no país]” e denunciou que houve fraude no processo eleitoral.
“Vamos destruir o país até que nos deem Martelly como presidente”, acrescentou.
As leis eleitorais haitianas estabelecem que o presidente do país deve ganhar com 50% dos votos e, como nenhum dos candidatos recebeu essa porcentagem de apoio popular, Jude Célestin e Mirlande Manigat deverão enfrentar-se em segundo turno no dia 16 de janeiro.
Os resultados divulgados pelo CEP são incompatíveis com os publicados pelo Conselho Nacional de Observação Eleitoral, declarou a embaixada dos Estados Unidos.
A diplomacia estadunidense acrescentou que os resultados não coincidem “com a contagem de votos monitorados por vários observadores nacionais e internacionais”.
Por sua vez, o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, sustentou que a contagem efetuada é “provisória”.
“Primeiramente quero ressaltar que é uma contagem provisória. Há todo um processo através do qual se pode reclamar o resultado, um conjunto de recursos aberto”, assinalou à imprensa.
O futuro sucessor do presidente René Préval assumirá o controle de um país devastado em meio a uma grava crise humanitária depois do poderoso terremoto de 12 de janeiro deste ano e com uma epidemia de cólera que já matou mais de 2 mil haitianos desde o final de outubro.
Tradução: Michelle Amaral