Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Eleições: o tsunami direitista e os desafios das esquerdas

Por Val Carvalho - Foi exatamente esse aspecto político nacional das eleições o que mais interessou ao PT e ao PSDB, polos antagônicos do espectro político-ideológico do país

Segunda, 03 de Outubro de 2016 às 10:07, por: CdB

Foi exatamente esse aspecto político nacional das eleições o que mais interessou ao PT e ao PSDB, polos antagônicos do espectro político-ideológico do país

 
Por Val Carvalho - do Rio de Janeiro
  As 5.568 disputas eleitorais nos municípios brasileiros não ajudam a concentrar o interesse político do eleitorado. Ao contrário das eleições presidenciais. Por isso, as eleições municipais sempre se caracterizaram por sua grande despolitização e dispersão local das questões políticas. À exceção das capitais. Sobretudo cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que melhor expressam as tendências políticas nacionais.
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Val Carvalho é revolucionário e articulista do Correio do Brasil Tucanistão
Foi exatamente esse aspecto político o que mais interessou PT e PSDB, polos antagônicos do espectro político-ideológico do país. Tanto para o campo da direita quanto para as esquerdas, especialmente para o PT, essas eleições municipais funcionaram como o primeiro teste eleitoral do governo golpista. E nesse teste, a direita foi vitoriosa. Confirmou a onda conservadora que continua dominando a atmosfera ideológica brasileira. Das 630 prefeituras que o PT elegeu, em 2012, caiu para 256 nessas eleições. Ou seja, perdeu 374 prefeituras. Enquanto isso, o PSDB cresceu de 686 para 793 prefeituras. Por sua vez o PMDB, na sua condição de partido essencialmente municipalista, praticamente não saiu do lugar. Elegeu 1028 prefeituras, ou 13 a mais do que em 2012.

Ajuste de contas

As eleições mostraram que o componente conservador continua forte na atmosfera ideológica do país. A esquerda, na sua vertente petista, foi a grande derrotada. O governo golpista, através de seu instrumento jurídico (Moro), tem agora melhores condições para ajustar contas com Lula. E assim consumar o objetivo político maior do golpe.
serra-alckmin-aecio.jpgAlckmin, Aécio e Serra iniciam a disputa pela liderança do
Apesar da vitória indiscutível nas eleições, a situação do governo golpista não é tão cor de rosa como poderia parecer. Temer teve que votar escondido para não ser vaiado. Na realidade, continua crescendo o isolamento político do governo golpista na mesma medida em que suas políticas antipovo e antinação vão ficando explícitas. E isso, o todo poderoso rei do Tucanistão, governador Alckmin, agora inconteste candidato do PSDB em 2018, vai pressionar o hesitante Temer a assumir de vez a sua missão de carrasco do povo. Podemos esperar assim mais reação popular e também o aprofundamento das contradições intragolpe, entre tucanos e peemedebistas, inclusive na grande mídia, como a revista Veja já começou a fazer contra Renan.

Hora da verdade

Após ter sofrido o maior impacto do golpe e agora o da derrota eleitoral, para o Partido dos Trabalhadores chegou de fato a hora da verdade, o momento de ir a fundo na sua autocrítica e “reengenharia” política. É preciso deixar de olhar para o retrovisor saudosista e reconstruir o seu projeto político junto aos movimentos sociais e luta de massas pela reconquista da democracia. O vendaval direitista arrancou a maior parte da árvore petista, mas não as suas raízes. No próprio Tucanistão o PT é, depois do PSDB, o segundo partido em maior número de votos para vereador. Enquanto os tucanos tiveram no Estado de São Paulo 1.032.169 votos, o PT ficou com 853.808. São as suas raízes, a partir das quais o PT pode se refazer. Val Carvalho é articulista de Política do Correio do Brasil.
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