As relações entre Estados Unidos e Venezuela só poderão melhorar depois da sucessão de George W. Bush, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em declarações ao jornalista David Frost para a emissora em inglês da rede Al Jazira.
Nesta sexta, o presidente participa na Alemanha da reunião do G-8, formado pelos sete países mais ricos do mundo e pela Rússia.
- Acho que outro presidente poderia recuperar as relações entre EUA e Venezuela, que são para nós dois países amigos. Queremos que vivam em paz, e sobretudo também com o Brasil -, disse.
Na entrevista, gravada durante a recente passagem de Lula por Londres e que será exibida na noite desta sexta ele se diz convencido de que "é quase impossível construir uma boa relação" entre o presidente americano, George W. Bush, e o venezuelano, Hugo Chávez.
Para o presidente brasileiro, é curioso que os dois presidentes estejam brigados quando "os Estados Unidos precisam do petróleo da Venezuela, e a Venezuela precisa vender petróleo aos Estados Unidos".
- É uma briga que não consigo entender muito bem -, comenta, acrescentando que um dos motivos pode ser o fato de que "durante muitos anos a política venezuelana esteve muito subordinada à dos Estados Unidos, sobretudo no que se refere ao petróleo".
Confiança
Lula afirmou ainda que sua relação com Chávez "não é de chefes de Estado, e sim de amizade, de companheirismo". Ele chamou o líder venezuelano de "um companheiro" com quem tem "uma relação excelente pessoalmente", acrescenta.
- O Brasil tem interesses na Venezuela, e vice-versa. Temos projetos conjuntos. Estamos construindo juntos, por exemplo, uma refinaria. Há muitos investimentos brasileiros na Venezuela, e acho que a cooperação entre os dois vai continuar -, aposta.
Na entrevista, o presidente reafirmou a confiança em Chávez.
- E tenho certeza de que ele também tem confiança em mim. Quando temos alguma divergência, falamos abertamente sem que haja segredos entre nós -, diz.
'Covardia'
Ao comentar a estagnação nas negociações multilaterais de comércio, Lula disse a possibilidade de não haver acordo na Rodada de Doha seria um ato de "covardia política".
- Se não houver acordo, não adianta falar de terrorismo ou que a paz corre perigo. O momento é agora. É hora de se chegar a um acordo para permitir que os países mais pobres tenham a oportunidade de se desenvolver -, reivindicou o presidente.
Lula também cobrou a abertura de mercados dos países ricos.
- Os europeus terão que liberalizar a entrada em seus mercados dos produtos agrícolas dos países pobres. Os EUA precisam reduzir seus subsídios e os países do G20, entre eles o Brasil, devem mostrar flexibilidade nos produtos industriais e nos serviços -, diz.