Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

Eleições e manipulação da mídia

Por Altamiro Borges - A batalha da sucessão presidencial nem bem começou e já é visível que a postura da mídia será das mais inescrupulosas da história da imprensa nacional. (Leia Mais)

Quinta, 13 de Julho de 2006 às 10:38, por: CdB

A batalha da sucessão presidencial nem bem começou e já é visível que a postura da mídia será das mais inescrupulosas da história da imprensa nacional. Prova inconteste disto é que desde o registro oficial das candidaturas, no início de julho, boa parte das manchetes dos principais jornais e as opiniões da maioria dos comentaristas de rádio e TV elevaram o tom crítico ao governo Lula. Na recente eleição na Bolívia, um instituto independente constatou que 87% das notícias foram de oposição ao candidato Evo Morales; na Venezuela é conhecido o papel golpista da mídia contra Hugo Chávez. Parece que os donos dos meios de comunicação do Brasil desejam disputar e ganhar o campeonato da manipulação em nosso continente!

Para entender essa postura nociva e manipuladora vale a pena ler o didático livro de Pedrinho Guareschi e Osvaldo Biz, "Mídia, educação e cidadania", publicado pela Editora Vozes. Com fartura de dados, os autores destrincham a força adquirida pelos meios de comunicação nas últimas décadas, em decorrência dos avanços tecnológicos e do acelerado processo de monopolização do setor. Para eles, "a mídia tem, na contemporaneidade, o poder de instituir o que é, ou não, real". A partir da concepção burguesa de mundo, ela "cria e legitima valores" e determina a "agenda de discussão" na sociedade. "Ao redor de 80% dos temas falados no trânsito, trabalho, casa ou nos encontros sociais são colocados à disposição pela mídia".

No caso da televisão, principal veículo de comunicação na atualidade, esta força é implacável. "A média que o brasileiro fica diante da TV é de 3,9 horas diárias. Em algumas vilas periféricas que pesquisamos a média chega a seis horas e para as crianças, que os pais têm medo de deixar na rua, a nove horas diárias. É com esse personagem que nós passamos a nos relacionar, queiramos ou não, e que tem a ver com a constituição e a construção de nossa subjetividade. Ele é o único, praticamente, que fala; a relação de comunicação estabelecida é vertical, de cima para baixo... Já imaginaram o poder de tal personagem?". Para eles, este poder hoje tem enorme influência na discussão política e nos rumos de um país.

Conforme alertam, hoje a mídia é cada vez mais imagem, o que lhe dá enorme força de manipulação. "A preeminência da palavra, dos grandes relatos e também do discurso político tem sido, nos anos recentes, substituída pela imagem. Vivemos imersos numa cultura da imagem que altera as idéias que fazemos da política. Maria Rita Kehl analisa com sutileza o papel central que ela tem: 'Diante da TV ligada, isto é, diante de um fluxo continuo de imagens que nos oferecem o puro gozo, não é necessário pensar. O pensamento é um trabalho e ninguém agüenta pensar (trabalhar) o tempo todo... Quanto mais o fluxo de imagens ocupa espaço na nossa vida real e na nossa vida psíquica, menos é convocado o pensamento'".

Os autores relatam os casos mais grotescos desta manipulação. Na sua ofensiva contra o bloco soviético, a TV divulgou imagens impressionantes de centenas de cadáveres alinhados sobre lençóis para provar a violência do regime de Nicolae Seausescu na Romênia. Alguns dias depois, no Natal de 1989, ele e sua esposa foram executados sem julgamento. "Entretanto, em janeiro de 1990, um jornal francês (Le Figaro) mostrou que aqueles mortos não tinham sido massacrados pelo governo deposto, mas desenterrados do cemitério e oferecidos à necrofilia da TV". Eles também descrevem as mentiras do governo George Bush para justificar a invasão do Iraque e alguns episódios marcantes da manipulação política recente no país.

Os donos da mídia

Um dos capítulos mais elucidativos do livro é o que trata da monopolização da mídia no Brasil. No caso do rádio, surgido em 1922 na forma de sociedades ou clubes, o processo de concentração é mais lento, mas a história registra o esforço do setor privado para evitar qualquer tipo de regulamentação pública. Já no caso da televisão, inaugur

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