Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Eleições democráticas e justas, o primeiro benefício da morte de Arafat

Segunda, 10 de Janeiro de 2005 às 07:12, por: CdB

Arafat se foi no ano passado e ontem tivemos uma eleição para presidente do povo palestino depois de nove anos. O ex-líder palestino foi e foi tarde. Já era hora de dar uma nova chance para que  as idéias se renovassem e para que o moribundo processo de paz da região ganhasse vida novamente.
 
Imersa em acusações de corrupção, em um entravamento político e no fortalecimento de grupos como Hamas e Jihad Islâmica, a ANP (Autoridade Nacional Palestina) agora tem uma chance de ser reerguer, inclusive moralmente.
 
Mahmoud Abbas, conhecido também como Abu Mazen, que assumiu o controle interino após a morte de Yasser Arafat, obteve uma vitória por grande vantagem, cerca de 70%, como já era o esperado.
 
Abbas é considerado um moderado e tem, teoricamente, o apoio de Israel e dos Estados Unidos, ambos os países declararam que têm vontade em negociar com o novo líder.
 
Mas essa "moderação" de Abbas foi a responsável pela sua expulsão do governo na época de Arafat. Por julgá-lo "moderado demais", o ex- líder palestino o destituiu do seu cargo de primeiro-ministro.
 
Apesar de todo o apoio que os norte-americanos e os israelenses disseram dar a Mazen, o fato é que nem tudo será fácil ou será praticado como está sendo esperado pelos mais otimistas.
 
Ariel Sharon já declarou que não aceita negociar com os palestinos se a violência não cessar. Isso quer dizer que, apesar dos grupos radicais como Hamas e Jihad Islâmica não terem participado da eleição com candidatos, será necessária uma cooperação para que o processo de paz se desencadeie.
 
Na semana passada, Abbas pediu aos grupos que depusessem as suas armas e parassem com a violência contra Israel. Críticas surgiram de todos os lados. Os extremistas acham que Abbas tem que pedir à Israel que pare com as incursões nos territórios ocupados e não o contrário.
 
É inegável que qualquer governo que assuma a ANP, terá que ter o apoio pelo menos do Hamas, que além de tudo, detém grande parcela da população ao seu lado. Pesquisas recentes apontam apoio de 30% da população às suas ações.
 
Apesar de todos esses contratempos, o dia 9 de janeiro de 2005 ficará marcado como um dia histórico para o povo palestino. É a democracia em um "estado" de maioria muçulmana, que vive reprimido, mas que votou exercendo seu papel cidadão da forma mais justa.
 
O primeiro benefício da morte de Arafat, corrupto e que já tinha dado todo o bem que o povo palestino merecia. Já era passada a hora dele ir. Teimoso por natureza, somente a morte o faria dar uma nova chance para os palestinos.

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